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PF vê 'Masterzinho' no banco de Edir Macedo e escancara podridão que une finança, crime e política no Brasil

24 de jun.
2 min de leitura

Relatos da Operação Miragem apontam que o Digimais maquiava balanços para não parecer quebrado, num esquema similar ao do Banco Master; colunista da Folha afirma que o país se habituou a viver no lixo institucional


O bispo Edir Macedo, dono do banco Digimais - Alan Santos -01.set.19/Divulgação PR
O bispo Edir Macedo, dono do banco Digimais - Alan Santos -01.set.19/Divulgação PR

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, revelam um esquema de fraudes contábeis que, segundo a corporação, é similar ao do Banco Master. A Operação Miragem, deflagrada nesta semana, aponta que a instituição maquiava balanços para não parecer quebrada, num cenário que escancara a podridão extensa que se espalhou pelas finanças, pelo crime organizado e pela política no Brasil.


O colunista Vinicius Torres Freire, da Folha de S.Paulo, destaca que o caso do Digimais é apenas mais um exemplo de como gangues se apoderaram de instituições financeiras e de pagamento, com o apoio de parte da elite política graúda. Edir Macedo, embora não ocupe cargo político, lidera uma corrente do evangelismo político que comanda o partido Republicanos, num ambiente em que o Congresso está prestes a aprovar mais favores tributários para igrejas.


O colunista compara a atuação de Macedo à de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que alugou ou comprou a “alta ralé da República” para fazer valer seus interesses no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Vorcaro mantinha uma gangue de corrupção e infiltração em sistemas de informação sigilosos do Estado, e sua fraude só foi possível porque o sistema de regulação e supervisão permitiu a existência de fundos secretos e instituições sem controle suficiente.


A análise aponta que o país parece indiferente ao apodrecimento catastrófico, como a infiltração das facções no poder estadual no Rio de Janeiro. “Nos habituamos a viver no lixo”, escreve o colunista. Sob o comando de Gabriel Galipolo, o Banco Central passou a denunciar essas práticas à polícia e a liquidar instituições, mas a podridão já se entranhou profundamente.


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