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Prefeitura bancou R$ 2,6 milhões do São Gonçalo Fest, apesar de divulgar apenas 'apoio institucional'

há 18 minutos
2 min de leitura

Município confirma dinheiro público para palco, som, iluminação e banheiros; documento da organizadora aponta aporte de R$ 3,4 milhões e classifica Prefeitura como principal patrocinadora


Uma das atrações do evento/Foto: divulgação
Uma das atrações do evento/Foto: divulgação

A Prefeitura de São Gonçalo investiu R$ 2,6 milhões de recursos públicos na estrutura do São Gonçalo Fest 2026, encerrado na última segunda-feira (21). O valor foi confirmado pela administração municipal e contrasta com a comunicação oficial do evento, que desde o anúncio o apresentava como uma realização da Dual Produções com “apoio institucional” da Prefeitura. A revelação foi feita pelo site Diário Local.


Segundo o município, os R$ 2,6 milhões foram gastos com palco, sonorização, iluminação e banheiros. A Prefeitura também disponibilizou Guarda Municipal, agentes de trânsito e participação de secretarias durante os cinco dias de programação.


Há divergência sobre o tamanho da participação municipal. Documento encaminhado pela Dual Produções à Secretaria de Estado de Turismo, em 1º de setembro, apontava investimento de R$ 3,4 milhões da Prefeitura e apresentava o município como principal patrocinador do festival. Procurada, a Prefeitura negou esse valor e sustentou que o desembolso foi de R$ 2,6 milhões.


No documento, o orçamento total do São Gonçalo Fest aparece em aproximadamente R$ 7,5 milhões, como publicado pelo Daki. Além da participação municipal, constam R$ 1 milhão da Enel, R$ 1 milhão da Funarj, R$ 1,3 milhão em outros patrocínios e cerca de R$ 340 mil de recursos próprios da organização.


O evento reuniu artistas nacionais como Belo, Mumuzinho, Tiee, Manu Bahtidão, Ferrugem, Matheus & Kauan e Aline Barros, em cinco dias de programação gratuita na Arena São Gonçalo.


A revelação acrescenta um novo capítulo à contradição apontada durante a campanha eleitoral. Candidato do PL ao governo do estado e filho do prefeito Nelson Ruas (PL), o capitão Nelson, Douglas Ruas transformou os gastos com grandes eventos numa das críticas à gestão de Eduardo Paes. No lançamento de sua candidatura, em agosto, atacou o dinheiro destinado ao megashow de Madonna em Copacabana e afirmou que, se eleito, não pretende incentivar esse modelo de evento.


Douglas sustenta que há uma diferença: segundo sua campanha, os R$ 2,6 milhões não pagaram cachês de artistas, mas apenas a infraestrutura, enquanto as apresentações foram custeadas pela iniciativa privada.


A distinção existe. Mas o novo dado confirma que o festival apresentado oficialmente como evento privado com “apoio institucional” recebeu, na prática, investimento milionário dos cofres municipais.


Resta agora outra pergunta: por que o documento apresentado pela própria Dual Produções ao Governo do Estado registra R$ 800 mil a mais de participação da Prefeitura? É essa diferença entre os R$ 3,4 milhões declarados pela organizadora e os R$ 2,6 milhões reconhecidos pelo município que ainda precisa ser explicada.


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