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Quem é o ladrão da história? Flávio não aceita desafio de Lula sobre sigilo fiscal e telefônico

há 1 hora
3 min de leitura

Presidente formalizou no TSE proposta de abertura recíproca de dados bancários, fiscais e telefônicos; pedido inclui contas nas quais candidatos apareçam como “usuário master”, situação identificada pela PF em investigação sobre Flávio


Flávio/Foto: reprodução
Flávio/Foto: reprodução


A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu não aderir ao desafio lançado pelo presidente Lula (PT) para que ambos abram seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (21) pela Folha de S.Paulo, aliados do senador afirmam que a orientação é ignorar a proposta e manter as informações protegidas.


A decisão contrasta com a resposta dada por Flávio durante o debate da Band, no domingo (18), quando afirmou não ter nada a esconder, mas não aceitou o desafio apresentado pelo adversário.


Na terça-feira (20), Lula formalizou a iniciativa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizando a abertura de seus dados sob a condição de que Flávio faça o mesmo.


A proposta abrange informações dos últimos oito anos e inclui registros bancários, fiscais e telefônicos, além de dados relacionados a familiares e empresas vinculadas aos candidatos.


Campanha prefere não responder


De acordo com a Folha, integrantes da campanha de Flávio avaliam que o desafio não teve repercussão suficiente fora do eleitorado petista e, por isso, não pretendem alimentar a discussão.


Aliados também argumentam que os rendimentos do senador já foram declarados à Justiça Eleitoral.


A declaração de bens apresentada por candidatos, entretanto, não equivale à abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Ela não permite, por exemplo, conhecer a movimentação detalhada de contas, transferências financeiras ou vínculos de acesso a contas de terceiros.

Até a publicação da reportagem, Flávio não havia apresentado uma manifestação formal ao TSE aceitando ou recusando a proposta.


Conta ligada a Willer Tomaz aparece no centro da discussão


O desafio de Lula ganha relevância diante das investigações sobre as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, seu amigo.


Documentos examinados pela Polícia Federal identificaram o senador cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer e sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.


A expressão aparece expressamente no pedido apresentado por Lula ao TSE, que inclui contas nas quais os candidatos figurem nessa condição.


Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, mensagens recuperadas pela PF indicaram que uma funcionária de Willer solicitou ao banco Santander, em maio de 2025, a retirada do nome de Flávio do cadastro.


A defesa do advogado afirma que a inclusão ocorreu por erro bancário, posteriormente corrigido, e nega qualquer relação societária ou movimentação financeira do senador na conta.


O registro como usuário autorizado, isoladamente, não comprova que Flávio tenha realizado operações financeiras.


Relações com empresas de apostas também são investigadas


A Polícia Federal também examina conexões envolvendo Willer Tomaz e empresas que atuaram no mercado de apostas do Rio de Janeiro durante a gestão de Hazenclever Cançado na Loterj.


Segundo a Folha, Flávio teria recomendado Cançado ao então governador Cláudio Castro. Durante sua administração, a autarquia autorizou a operação da Rede Loto, responsável pela BestBet, ligada à holding portuguesa Cathedral Holdings.


Documentos analisados pela PF também apontaram que a Cathedral pagou viagens de jatinho utilizadas por Flávio e Willer na Europa.


A defesa sustenta que se tratou de viagens privadas, custeadas pessoalmente pelo advogado, e nega irregularidades.


Essas relações não demonstram, por si só, a prática de crimes, mas integram o contexto das investigações sobre os vínculos empresariais e financeiros do senador.


André Mendonça será o relator


O pedido de Lula foi distribuído ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro em 2021.


A autorização apresentada pelo presidente não obriga Flávio a abrir seus dados. Tampouco significa que os sigilos serão automaticamente quebrados ou que as informações serão divulgadas publicamente.


Para produzir efeitos, a iniciativa depende de providências jurídicas e da análise do tribunal.


Com o último debate presidencial marcado para sexta-feira (23), a posição atribuída à campanha de Flávio acrescenta um novo elemento ao confronto entre os candidatos: Lula formalizou a proposta de abertura recíproca, enquanto o adversário, segundo seus aliados, decidiu não acompanhá-lo.


A eventual mantém sem resposta pública o desafio feito durante o debate e deixa fora do alcance dessa iniciativa os dados financeiros que Lula propôs submeter à verificação.


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