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Dinheiro para Dark Horse teria circulado 'por baixo dos panos', sugerem delator e liquidante do Master

há 2 minutos
2 min de leitura

Flávio Bolsonaro prometeu divulgar contrato e prestação de contas do filme, mas não apresentou os documentos; PF apura se parte dos recursos enviados aos EUA financiou atividades de Eduardo Bolsonaro

Flávio pra bancar o irmão Eduardo recorreu a favores de Vorcaro/Foto: montagem IA - reprodução
Flávio pra bancar o irmão Eduardo recorreu a favores de Vorcaro/Foto: montagem IA - reprodução


A Polícia Federal investiga se recursos enviados aos Estados Unidos para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, tiveram outro destino: o custeio de despesas e atividades políticas de Eduardo Bolsonaro no país. A suspeita amplia as dúvidas sobre a origem e a aplicação do dinheiro, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) segue sem divulgar o contrato e a prestação de contas que prometeu apresentar.


O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou à PF que transferiu US$ 12,3 milhões para o fundo americano Havengate acreditando financiar empreendimentos imobiliários. Segundo ele, as sete remessas, realizadas entre janeiro e setembro de 2025, foram solicitadas por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.


Freixo declarou que desconhecia a possível ligação do dinheiro com o filme. A PF, porém, encontrou uma carta-acordo que menciona Dark Horse, documento que coloca em dúvida a versão do próprio empresário.


Em outra frente, o liquidante do Banco Master, Eduardo Bianchini, informou ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), em 13 de outubro, que não localizou registros de patrocínio ou financiamento do filme pela instituição. A resposta não exclui investimentos privados de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele.


Suspeita sobre Eduardo Bolsonaro


A PF também apura se parte das remessas foi utilizada para bancar Eduardo Bolsonaro e aliados nos Estados Unidos. Os investigadores analisam mensagens atribuídas ao ex-deputado sobre a movimentação de recursos no exterior e transferências envolvendo o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo.


Outro ponto sob investigação é a diferença entre os valores remetidos ao exterior e os registrados como recebidos no Brasil para a produção. Segundo informações da apuração, mais de US$ 12 milhões foram enviados aos Estados Unidos, enquanto aproximadamente US$ 2,8 milhões tiveram ingresso registrado no país.


A diferença não comprova desvio. A PF busca identificar os destinatários dos pagamentos e verificar se houve utilização dos recursos para finalidades distintas da produção cinematográfica.


Contrato e contas não apresentados


Flávio Bolsonaro, que solicitou recursos a Vorcaro para o filme sobre seu pai, prometeu em maio divulgar o contrato e a prestação de contas da produção. O prazo anunciado venceu sem que os documentos fossem apresentados publicamente.


Durante sabatina na Globo, na sexta-feira (16), Flávio voltou a afirmar que a produtora havia prestado todas as contas. A declaração foi contestada pelo UOL Confere, diante da ausência de documentação pública suficiente para verificar o financiamento.


A PF pediu mais 90 dias para aprofundar as perícias contábeis e obter informações das autoridades americanas.


Flávio afirma que o financiamento foi privado e regular e nega repasses ao irmão. Eduardo Bolsonaro também rejeita as suspeitas. Até agora, não há conclusão da PF de que os recursos tenham sido desviados para atividades políticas.


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