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PF aponta vazamento de fiscalizações em São Gonçalo para grupo ligado a Canella

há 43 minutos
2 min de leitura

Advogado teria repassado cronogramas e horários de operações do Procon a policial civil; áudio cita ex-coordenador de programa estadual no município


Fiscalização realizada em posto de São Gonçalo/Foto: reprodução
Fiscalização realizada em posto de São Gonçalo/Foto: reprodução


A Polícia Federal identificou indícios de que um grupo investigado por integrar um esquema de lavagem de dinheiro e cartel de postos de combustíveis recebia informações antecipadas sobre fiscalizações do Procon, inclusive em São Gonçalo. A descoberta faz parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta-feira (15), que prendeu o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim e outros investigados.


Segundo a PF, o advogado e influenciador digital Diogo Pacheco do Couto atuava como intermediário no suposto vazamento de informações. Em 13 de abril, teria encaminhado ao policial civil Pablo Russo uma planilha oficial com o cronograma semanal de fiscalizações. Três dias depois, teria informado o horário exato de uma operação. As comunicações também incluíam informações sobre veículos utilizados pelas equipes.


Um áudio enviado a Russo em 15 de abril revela o aviso antecipado de uma fiscalização prevista para o dia seguinte em São Gonçalo. O interlocutor menciona Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como Tchetcheco, que teria acesso à relação dos postos que seriam vistoriados.


Tchetcheco foi coordenador do projeto Balcão do Consumidor em São Gonçalo, vinculado à Secretaria estadual de Defesa do Consumidor. Segundo a PF, há indícios de violação de sigilo funcional e corrupção passiva envolvendo sua atuação.


O programa foi suspenso em junho, durante investigações do Ministério Público estadual sobre o contrato de execução. O Procon-RJ informou que Tchetcheco não era servidor da autarquia e anunciou a abertura de sindicância. Em vídeo, ele afirmou estar com a consciência tranquila e disse que se manifestaria após conhecer as investigações.


A PF também aponta suspeitas contra Edvaldo Ferreira Borges, o Biscoito, então servidor comissionado do Procon Carioca, subordinado ao então secretário da pasta e deputado estadual eleito João Pires (PSD), por possível vazamento de outra fiscalização. A Prefeitura do Rio anunciou sua exoneração.


A investigação integra a apuração de uma rede de postos suspeita de movimentar R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.


Ainda não foi esclarecido quais postos de São Gonçalo seriam fiscalizados, se as operações foram comprometidas ou se houve pagamento pelos avisos. Não foi localizada manifestação da defesa de Diogo Pacheco do Couto nas reportagens consultadas. As suspeitas seguem sob investigação.


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