'A mentira dá flores, mas não frutos'
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'A mentira dá flores, mas não frutos'

Por Rofa Araújo


Imagem: Jornal Daki com IA
Imagem: Jornal Daki com IA

Dia 1º de abril é considerado o Dia da Mentira tudo porque na França, por volta de 1582, quando o calendário gregoriano foi adotado, mudando o ano novo de abril para 1º de janeiro. Quem continuou comemorando em abril foi zombado e chamado de “tolos de abril”, consolidando uma tradição de pregar peças nesta data.


Mas, voltando ao provérbio popular que dá título à essa crônica, “A mentira dá flores, mas não dá frutos”, o seu sentido parece destacar que a mentira pode parecer bonita, vantajosa ou convincente inicialmente (flores), mas ela é incapaz de gerar resultados duradouros, confiança verdadeira ou benefícios concretos a longo prazo (frutos). A ilusão criada pela falsidade, eventualmente desmorona, quando a verdade aparece. 


Assim, temos uma Aparência X Realidade, pois a “flor da mentira” é a proteção momentânea, a vantagem rápida ou a aparência agradável que ela proporciona. Existe uma falta de falta de sustentabilidade, pois ela é bem diferente da verdade, que construiu relações sólidas, provocando algo destrutivo e com alcance limitado, oferecida apenas como uma espécie de “engodo temporário”. 


E, portanto, a mentira não rende “frutos”, a não ser os amargos, que fazem mal. E quem quer degustar esses maus tipos tão intragáveis na vida? Mentir gera desconfiança e prejuízos que podem ser irreparáveis, revelando um caráter frágil. 


Em suma, a expressão ensina que o engano não prospera, solicitado de alerta para a preferência pela honestidade, que, apesar de mais difícil, produz frutos reais. 


O poeta, Mário Quintana, a esse respeito, disse: “Do bem e do mal todos tem seu encanto: os santos e os corruptos. Não há coisa na vida inteiramente má. Tu dizes que a verdade produz frutos... Já viste as flores que a mentira dá?”. E não é pura realidade? Tudo parece bom, mas, no fim das contas, é algo totalmente deturpado e tende a levar ao sofrimento e ao caminho do mal e nada de bom existe na mentira, em detrimento à verdade.  


 O mesmo autor, ainda afirmou: “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”. Ocultar uma realidade em prol de um interesse pessoal ou mesmo coletivo, prejudicando alguém é puro egoísmo e nada tem de bom nisso.


E, em tempos em que verdade disputa com a mentira quem conta uma história melhor, via redes sociais, como tem assimilado o que nos chega? Com desconfiança em tudo ou logo vamos nos apaixonando por um bom discurso e caindo na esparrela daquilo que nos chega como se fosse algo tão gostoso e prazeroso?


É preciso estar mais atendo para ser enganado pelo, como dizia um poeta, “canto da sereia”. Aquele atrativo bonito, sedutor, mas que nos lev o engano e ao caminho do mal. 


Viva a verdade mesmo que pareça até errado e no se deixe enganar por uma mentirinha, ainda que transpareça algo correto e bom.


Não esqueça do citado e refletivo provérbio, contemporâneo, muito apregoado, atualmente: “A mentira dá flores, mas não dá frutos”. 


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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo. 


   


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