A extrema direita, o campo progressista e a luta pelo mandato tampão no RJ
- Jornal Daki
- há 2 horas
- 4 min de leitura
Por Oswaldo Mendes

Se dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, o contrário também é verdade e muito mais na política.
Com o advento do julgamento do caso CEPERJ, marcado para o dia 10 de março de 2026, com seus possíveis desdobramentos alcançarem e deixarem o atual Governador do Estado inelegível, fez com que a extrema direita se movimentasse e acelerasse o processo da disputa eleitoral pelo mandato tampão.
Assim se decidiu, como estratégia, no pedido de renúncia do cargo e buscar concorrer a eleição deste ano, seja como deputado federal ou senador.
O Estado do Rio de Janeiro já não tem vice-governador, alçado a Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; o então presidente da ALERJ está envolvido, em tese, em questões com um ex-deputado, do mesmo campo ideológico; assim, a eleição passa a ser obrigatoriamente indireta.
A votação do mandato tampão é indireta, somente os setenta deputados estaduais da ALERJ poderão votar, mas a manifestação por todos é pública, válida e normal.
Com a maior liderança da extrema direita condenado e preso, fica a possibilidade de vacância de poder, que será testada a cada momento.
Se olharmos um organograma veremos que um deputado federal que opera na cidade deveria automaticamente ser o responsável pelas decisões, em face aos fatos relatados, mas, em contrapartida, quanto mais tempo expor alguém mais tempo será para ‘fritar em fogo brando”, porém, nesse caso não tinha saída.
Numa simples matriz SWOT/FOFA fica fácil verificar a estratégia utilizada até o momento (Pontos Fortes / Fraquezas – Oportunidades de Melhorias/ Ameaças). Páginas da cidade que estão imbuídas de apresentar cada uma sua estratégia, que nada valerá para uma votação indireta.
A mídia social está em polvorosa expondo o nome do candidato da extrema direita. Enquetes e mais enquetes, com atores que não votam na eleição indireta. Será que surtirá efeito em quem efetivamente tem mandato? O tempo dirá.
Um candidato ao governo do estado vem apresentando grandes vantagens nas pesquisas de opinião. Ele também flerta com a extrema direita e tem produzido discussões acaloradas quanto a limites. Caso ocorra algumas correções de rumo, há possibilidades de Eduardo Paes ser eleito governador na eleição de outubro.
Levar seu inimigo para o campo aberto ou para o mar e as montanhas e cortar suas fontes de recursos, claro que eles leram “A arte da Guerra”, de Sun Tzu. Expor um candidato, de forma antecipada, é colocá-lo num campo aberto, onde não se sabe quem são seus inimigos, quais armas eles têm, onde estão e quando começarão a atacá-lo. Mas não tinham outra forma: ou apresentavam um nome ou perdiam a possibilidade de indicar alguém para sentar na cadeira, pois, na política, não existe espaço vago ou espera.
Historicamente, a cidade de São Gonçalo já teve em seus quadros um governador biônico, durante o Regime Militar, de direita, que foi prefeito da cidade de 1959 a 1962, pastor evangélico, ligado ao Grupo Lavoura - Geremias de Mattos Fontes (ARENA) que ocupou o governo do Estado no período de 31 de janeiro de 1967 a 31 de março de 1971. Após esse período passou a vida se dedicando e lutando na recuperação de drogados na Comunidade S8.
A grande diferença era que a cidade tinha a direita, que atualmente foi engolida e não se sabe como se desvencilhar de suas amarras (da extrema direita). Marcas que não saem facilmente, pois livros, imprensa, professores e historiadores teimam em repassar, às gerações futuras, quem foram, como agiram, o que fizeram e qual foi o resultado daquelas ações. Daí vem o ódio à imprensa, Professores e Cultura da extrema direita.
O prefeito de Maricá, Quaquá – PT, já se pronunciou nas redes sociais e assim deve-se esperar que o jogo, que se encontra todo em segundo plano tenha alterações. Ninguém deve apresentar candidatos, ao menos por enquanto, visto que quem vota são os deputados estaduais e colocar seus nomes em exposição nada acrescentaria ao pleito, o que não foi o caso da extrema direita do Estado, em face aos motivos já apresentados.
Agora é contar garrafas e não aparecer! Silêncio total. Reuniões e mais reuniões. Lideranças e estratégias. O jogo está na mesa: Derrotar a extrema direita no mandato tampão.
O campo progressivo fará de tudo para que o governo tampão fique em suas mãos, já que se tem mais do que o que aparece: tem uma vaga de governador, duas vagas ao senado, cargos de deputados estaduais e federais e quem tiver esse controle do mandato tampão muito pode ajudar na próxima eleição a esses cargos. Não é somente o que parece e não é somente o que se vê.
Lembro-me neste momento de uma frase do ex-deputado e presidente da ALERJ Paulo Mello, na qual dizia que só via cinco ganhando de cinquenta em desenhos animados.
Outro ator que talvez possa contribuir muito nessa eleição indireta é o Governo Federal, o qual permanecerá em silêncio, mas agindo nos seus interesses e, se isso acontecer, a frase de Paulo Mello acima poderá ser integralmente aplicada. Aí vemos o ex-prefeito de Paracambi e ex-presidente da Alerj, Ceciliano, como uma ótima proposta.
Note-se que, se o candidato da extrema direita indicado para o mandato tampão não for eleito por seus pares, ele concorrerá normalmente a uma cadeira no legislativo estadual com uma campanha, em larga escala, já em movimento, ou seja, ocuparão espaço num momento crítico e colocarão seu nome em tela.
O certo é que as peças estão no tabuleiro aguardando movimentos que, muitas vezes são invisíveis e assim qualquer movimento em falso é Xeque-Mate.
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Oswaldo Mendes é professor.












































