O Homem que Queria Voltar para Casa
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O Homem que Queria Voltar para Casa

Por Mira Pimentel


Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Dizem que ele já vestiu farda.


Mas não aquela que protege —aquela que honra.


Dizem que vestiu…e não soube sustentar o peso.


Na história que contam, meio baixa, meio atravessada, houve um tempo em que esse homem não entendeu o limite entre força e descontrole.


E caiu.


Não por acidente —mas por incapacidade de permanecer onde exige caráter.


Depois disso, reinventou-se.


Ou melhor…encenou-se.


Criou para si uma imagem: forte,invencível,intocável.


Um homem que dizia não temer doenças, que transformava dor em “fraqueza dos outros”, que se colocava como símbolo de virilidade, como se ser homem fosse dominar…e não cuidar.


Mas havia algo estranho nessa construção.


Muito barulho…para pouca essência.


Porque o verdadeiro homem —aquele lá de tempos antigos, antes de qualquer discurso —não era o que subjugava.


Era o que protegia.


Não era o que gritava superioridade. Era o que sustentava equilíbrio.


E esse…esse da história…nunca foi.


Subiu.


Ah, como subiu.


Apoiou-se em estruturas, em hierarquias, em sistemas que sustentam uns sobre os outros.

Falou para muitos. Dividiu tantos.


E fez da separação um projeto.


“Uns são melhores que outros.”


Disseram por ele. E ele deixou.


Mas o tempo…


o tempo não se impressiona com discursos.


E como toda construção sem base…


veio a queda.


Agora, dizem — e aqui a história ganha um tom quase irônico —que o homem que um dia zombou da dor alheia…


clama.


“Quero minha casa…”


Não quer mais o palco. Não quer mais o grito.


Quer o cotidiano simples que nunca valorizou.


Do outro lado, vozes conhecidas ecoam:


“Queremos nosso pai…”


E o mundo assiste.


Alguns ainda defendem. Outros já entendem.


Mas a verdade…


essa não grita.


Ela se revela no contraste.


Entre o homem que dizia ser imbatível…e o homem que agora não suporta o próprio silêncio.


Entre o poder que parecia eterno…e a fragilidade que sempre esteve ali.


Entre o discurso de força…e a ausência dela.


A história não precisa acusar.


Ela apenas mostra.


E mostra que nenhum cargo sustenta o que o caráter não construiu.


Hoje, o homem que dividiu…experimenta o isolamento.


O homem que negou…encontra a própria negação.


O homem que se dizia acima…descobre-se humano.


Tarde.


Mas humano.


E talvez — só talvez —esse seja o único ponto de redenção possível:

quando a máscara caie resta apenas o homem.


Sem poder. Sem discurso. Sem plateia.


Apenas… ele.


E a própria consciência.


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Mira Pimentel é cronista.

 

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