O Rio deu ao Brasil o capitalismo miliciano
Por Helcio Albano

Vivemos um capitalismo sui generis no Rio de Janeiro: o capitalismo miliciano. E por que miliciano? Porque até facções de origem no tráfico de drogas copiaram o modelo de controle econômico e de território das milícias de exploração direta e indireta de micro até grandes negócios.
A evolução das práticas criminosas da milícia é assustadora.
O que começou com taxas sobre segurança privada ilegal, agiotagem e exploração de vans irregulares, se ampliou para transação de bens e serviços como venda de ovos, farinha, tijolos, produtos de limpeza, gás, gelo e areia, internet, água, luz e, mais recentemente, controle da distribuição e adulteração de combustíveis em postos comandados por laranjas dos criminosos que lavam dinheiro através de fintechs criadas sob medida para o ato delituoso.
Dito isso, aos números!
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Segundo estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2022), citado pela jornalista e pesquisadora do tema, Cecília Oliveira, o crime organizado movimenta R$ 348 bilhões por ano no Brasil. A cocaína responde por apenas R$ 15 bilhões desse total.
Ou seja, menos de 5% do faturamento. O que sustenta a estrutura econômica dessas organizações? Quem fala que é o tráfico, está mentindo pra você pra mudar o foco do real problema que financia e perpetua toda a nossa tragédia.
O domínio territorial é apenas a ponta armada desse imenso iceberg do crime que avança na política pra garantir proteção e expansão desse ecossistema à margem da lei.
Ah, e um detalhe importante: o capitalismo miliciano pode parecer ideológico, pois na vanguarda do "Estado mínimo". Mas o que busca nada mais é do que um Estado pra si, em sua imagem e semelhança. Isto é, com economia desregulada, privatizações e fim da legislação trabalhista.
Hoje é fácil identificar quem representa essa "ideologia".
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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.









































































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