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Exposição 'Saias D’Oxum' apresenta mais de cinco décadas de memória e devoção no Candomblé

há 1 hora
2 min de leitura

Mostra reúne vestimentas dedicadas a Nossa Mãe Oxum preservadas por Mãe Márcia D'Oxum ao longo de mais de cinco décadas; acervo do Memorial Oxum ultrapassa mil peças


Mãe Márcia/Foto: reprodução
Mãe Márcia/Foto: reprodução


A exposição "Saias D'Oxum: Águas que Vestem o Tempo" apresenta um conjunto de saias dedicadas a Nossa Mãe Oxum, preservadas por Mãe Márcia D'Oxum ao longo de mais de cinco décadas de trajetória no Candomblé. Entre rendas, bordados e marcas do tempo, a mostra propõe uma leitura dessas vestimentas como registros de uma história em que a devoção se entrelaça à memória coletiva e à preservação dos saberes de matriz africana.


As peças estarão à mostra a partir do dia 18 de novembro de 2026, às 18h, no Kwê Dãn Gun, Espaço Cobra Afro Acolhedor, no Centro do Rio de Janeiro (Praça XV), com visitação até 17 de dezembro,


O percurso expositivo acompanha as transformações das peças e evidencia como tecidos, volumes e acabamentos expressam as referências de beleza de diferentes épocas. Reunidas, as saias permitem reconhecer momentos da vida de Mãe Márcia e diferentes maneiras de honrar Nossa Mãe Oxum, compondo uma biografia que também se conta pelo vestir.


Nascida Márcia Dória Pereira, Mãe Márcia D'Oxum foi iniciada no Candomblé em 2 de fevereiro de 1968 por Mãe Menininha do Gantois, no Terreiro do Gantois. Ao longo de sua caminhada, tornou-se Ìyálòrìṣà do Egbè Ilè Ìyá Òmìdayè Àṣẹ Ọbaláyọ̀, em São Gonçalo (RJ), e dedicou sua vida à preservação dos saberes ancestrais, à liberdade religiosa e à formação de novas gerações.


Senhora das águas doces, dos rios, das fontes e das cachoeiras, Nossa Mãe Oxum está ligada à fertilidade, à maternidade, ao amor e à prosperidade. A exposição aborda a beleza e a elegância como expressões de dignidade e poder, reconhecendo no cuidado com as vestimentas uma forma de reverência.


A saia também é apresentada em sua relação com o corpo e com a dança. Ao girar, suas camadas ampliam os gestos e desenham círculos no espaço, orientando uma reflexão sobre a roda como lugar de encontro e pertencimento.


O trabalho de preservação encontra expressão no Memorial Oxum, cujo acervo reúne mais de mil peças e aproximadamente quinhentas vestimentas, parte delas herdada de casas ancestrais. Em uma história marcada pelo racismo e pela perseguição religiosa, conservar essas peças significa afirmar o direito à memória e à construção das próprias narrativas.


A exposição integra projeto contemplado em edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.


Serviço:

Exposição Saias D'Oxum: Águas que Vestem o Tempo"

Local: Espaço Cobra Afro Acolhedor (Kwê Dãn Gun) - Praça XV, Centro

Data: 18 de novembro de 2026 (Inauguração) até 17 de dezembro de 2026



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