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Osmar, por Rujany Martins



Quando Hélcio Albano telefonou para comunicar a volta do JORNAL DAKI e, convidar para que eu escrevesse uma coluna, fiquei feliz. Porque a volta do jornal sinaliza também a volta do Hélcio à nossa lide jornalística e este é um rapaz valoroso, que estava fazendo falta a São Gonçalo.

E quando ele me deixou livre para escolher o tema da coluna pensei que poderia escrever sobre o perfil de uma personalidade da terra e escolhi o Osmar. Não um Osmar qualquer, mas o ‘Osmar’, meu contemporâneo da geração da década de 30, que entrou na vida da cidade ainda jovem, está aí até hoje. E vai ficar na história do município. Estou falando de Osmar Leitão Rosa.

Osmar é meu amigo. Com muita honra, pra mim. Afinal, ele é um cara reconhecidamente sério, honesto, competente, lúcido. Herdeiro legítimo do mito Lavoura, que entrou para a história gonçalense como um padrão de honestidade e trabalho. E isso diz tudo. É uma amizade que honra qualquer um.

Mas já discordei dele em muitos momentos de nossa velha relação. E enquanto ele foi prefeito de São Gonçalo, se entrei em seu gabinete duas vezes, foi muito. E durante os muitos anos em que foi deputado (em torno de 20 anos, em cinco legilaturas) só o procurei uma única vez para pedir um favor. Foi quando precisei desengavetar meu processo de aposentadoria que dormia no INSS há quase dois anos e só mesmo um deputado teria força para fazê-lo andar. Só andar. Sem privilégios ou concessões.

Mas critiquei muito o nosso velho Osmar quando achei que ele, deputado, não brigou o suficiente para que o projeto da estrada Niterói-Manilha não ignorasse tanto os interesses de São Gonçalo. Até que ele me explicou que, naquele momento, nenhum deputado tinha força para modificar uma decisão do ministro-coronel Mário Andreaza.

Mas sempre reconheci nos ‘lavouristas’ honestidade, devoção ao trabalho e uma dedicação acentuada à população de São Gonçalo. Só quem viu o que era nosso município antes de Lavoura pode avaliar a importância da obra desse grupo político no desenvolvimento da cidade.

Perguntei ao Osmar qual – na sua opinião – sua principal contribuição para o desenvolvimento de São Gonçalo em sua longa vida pública.

- Contribuí de várias formas, ajudando Lavoura e Geremias nas secretarias de Governo e Fazenda; como prefeito dediquei-me muito à educação e considero minha maior obra a construção do Colégio Castello Branco, até hoje padrão municipal da educação. Como deputado, sempre trouxe verbas para ajudar a administração municipal, mesmo depois que nosso grupo perdeu a prefeitura.

Hoje, Osmar Leitão está sem mandato. O ambiente político do município se modificou muito. E a explosão demográfica cosmopolizou o perfil de nossa população. Os nativos gonçalenses, hoje, influem menos que os forasteiros que vieram viver aqui. E modificaram nossos hábitos e preferências.

Mas não é justo [nem inteligente!] vermos valores como Osmar Leitão Rosa longe do processo administrativo da cidade, sem influir nas decisões que interessem à nossa população. Ele, que pela experiência no trato da coisa pública e pelo amor à sua cidade, tanto poderia estar contribuindo para a solução dos nossos problemas. Mas para isso, seria necessário que os que dominam o poder se despissem de vaidades e reconhecessem o quanto poderiam se beneficiar do talento e capacidade de quem verdadeiramente os tem.

Artigo disponível no Daki impresso.


Rujany Martins é jornalista.

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