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Partir ficando (eu queria)

Por Paulinho Freitas


SÃO GONÇALO DE AFETOS


Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Ele queria eternizá-las, não com uma foto ou um quadro na parede. Ele as queria na inveja dos olhos dos homens por ele as ter amado, queria também ser eternizado na pele delas como a tatuagem da musica de Chico Buarque. As queria agarradas ao seu corpo, tentando fazer parte dele, feito as loucas fãs de Cauby Peixoto na época de ouro do rádio Brasileiro. 

Por isso decidiu dar a cada uma delas um pedacinho de si. 

 

Nas costas das mãos tatuou as gêmeas Dayse e Delcia, amores de infância, que carregou consigo durante a vida toda. Os beijos triplos atrás da cantina, o caminhar pela rua depois das aulas de mãos dadas com as duas...

 

Em cada braço tatuou de um lado Joseane, a inesquecível, aquela que nunca saiu de seus pensamentos, de momentos em que os corpos se fundiam e as almas viravam luz. 

 

Do lado esquerdo do peito, o rosto de Marcia sorria feliz, os olhos claros dela clareavam seus dias escuros, o faziam sentir-se vivo. 



Do outro lado do peito tatuou Fernanda, a dos lábios carnudos e safados, que o puxava para a cama a qualquer hora do dia ou da noite, o fazia sentir o melhor e mais viril dos amantes, dava-lhe tapas na cara por ciúmes de um sonho que teve e chorava sem parar quando ele demorava na rua.

 

Também nas pernas e nas costas, vários rostos femininos beijavam-lhe a pele e o agasalhavam nas noites de solidão, cada uma com uma lembrança diferente. 

 

No seu corpo viveram todas as mulheres que passaram por sua vida, no coração tatuou as histórias de amor, que com elas jamais viveu. Foi um verdadeiro Dom Ruan, ídolo de si mesmo. Maior que ele, só o amor por elas e a inocência que o fez melhor entre todos nós. 

 

Que estejas na luz e que tua alma esteja em paz. 


Existem pessoas que vivem de emoção, vão embora e a deixam conosco de herança. 


Obrigado!


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.


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