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A atualidade de Dietrich Bonhoeffer, por Sammis Reachers


Boenhoffer foi condenado e executado no dia 9 abril de 1945

Dietrich Bonhoeffer (1906 – 1945) foi um teólogo alemão admirado nos meios eclesiásticos por seus livros e exemplo de vida. Na esfera secular, alguns o reconhecem como sendo um dos participantes da assim chamada Operação Valkíria, a malfadada ação orquestrada por militares e civis alemães que desejavam pôr fim à insanidade de Hitler, quando a Alemanha já descia ladeira abaixo em direção à fragorosa derrota. Há um belo filme, com Tom Cruise, sobre o evento. O atentado contra o Führer falhou; os envolvidos, descobertos, foram encarcerados e mortos.



Mas o que chama a atenção para o exemplo de Bonhoeffer em nossos dias é a sua atitude de opor-se ao movimento nazista desde seus primórdios, percebendo em tal ascensão a eclosão de forças sinistras que poderiam pôr em risco não apenas o frágil equilíbrio da sociedade alemã, ainda penalizada pela derrota na Primeira Grande Guerra, mas também a segurança de toda a Europa. Era patente o discurso de ódio, triunfalista e belicista que transbordava daquele grupo sórdido. O discurso, que infelizmente cooptou boa parte da sociedade e das igrejas alemãs, ia de encontro aos princípios de paz que fundamentam a mensagem de Cristo conforme expressa na radicalidade do Sermão da Montanha (Mt 5.1-16). Cristãos fiéis resistiram; mas o poder virótico da mensagem de Hitler logrou vitória momentânea.


Como num eterno retorno nietzschiano, hoje vemos em diversos países a manifestação crescente do mesmo discurso de contra alteridade, xenófobo, destituído de misericórdia, que por vezes se apoia no nome de Cristo (do qual se apropria não como imitador, mas corsário) para seus objetivos que se resumem à materialidade e manutenção de privilégios. Nunca Bonhoeffer foi tão necessário.

Sammis Reachers, nascido por acaso em Niterói mas gonçalense desde sempre, é poeta, escritor e editor, autor de sete livros de poesia e dois de contos, e professor de Geografia no tempo que lhe resta – ou vice-versa.


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