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As tainhas de ouro da Praia de São Gabriel, por Erick Bernardes


Tipo de curral usado pelos pescadores de Itaoca/Imagem a partir de desenho do biólogo Fernando Neves Pinto

Certa vez o genial José de Alencar profetizou: "Tempo virá em que do obscuro gabinete do escritor a pena governará o mundo, como a espada de Napoleão da sua barraca de campanha". E não é isso que se tem visto por aí?


Uma frase enunciada no Facebook, Instagram, Twiter ou mesmo Whatsapp, daí em segundos correrá o mundo por uma rede de caminhos digitais de fibra ótica e satélites, falando por milhares de línguas e se reproduzindo algoritmamente como os próprios pixels das telas dos celulares.


Nessas webs de internet ainda impera a liberdade de parafrasear (eu disse ainda), porque “sem essa tal liberdade”, conforme já nos sugeriu a canção do grupo de pagode SPC, nada se poderia fazer quanto a nossa cidade. Por esse motivo, falo hoje da Praia de São Gabriel e sua excepcional pesca da tainha. Exato. Pois a história surgiu de uma conversa virtual com o Biólogo Fernando, aliás, melhor dizendo, ganhei uma palestra particular via aplicativo digital em tempo real desse professor e pesquisador maneiro. Viu aí? José de Alencar estava certo, a tecnologia jogando de bandido para uns; para os afoitos por fakenews; e de facilitadora para outros, como as magníficas aulas via Zoom sobre a Ilha de Itaoca que ganhei de presente.


— Pois é, Fernando, isso eu entendi. Mas por que são tão mais firmes e valiosas as carnes das tainhas pescadas em São Gabriel?


— É que normalmente esses peixes são capturados no arrasto das malhas de rede através de embarcações pelo mar afora. Lógico que as tainhas batem nas pedras e até no fundo do mar. Com isso, a carne fica magoada, como diria meu avô, e assim perde a forma e bastante a rigidez; menos qualidade no produto, claro. Ocorre que, em São Gonçalo, ou melhor, na Praia de São Gabriel (Itaoca), a pesca é diferenciada. Cerca-se um espaço da Baía de Guanabara com o que se convencionou chamar de curral e só depois de algum tempo é que se captura os peixes com as mãos. Normalmente são moradores da ilha a exercerem a atividade inteligentemente..


— Isso é ótimo, né? Não se pratica a pesca predatória e, ainda por cima, resguarda o lugar de trabalho. Nem precisa dizer a firmeza dessa proteína quando chega ao mercado. Textura, sabor, tudo de bom em matéria de culinária. Os conhecedores de peixe sabem bem disso e compram por aqui no município. Uma delícia de pescado devem ser essas tainhas.


— Obrigado, Fernando. Muitíssimo obrigado.


Enfim, caro leitor, a aula terminou. Melhor pra mim foi conversar sobre a história da Praia de São Gabriel com quem conhece bem. A internet dessa vez ajudou. Em São Gonçalo é assim. Você sabia?


Referência:


ALENCAR, José. Ao correr da pena. http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Erick Bernardes é escritor, professor mestre em Estudos Literários.




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