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Pantanal: uma localidade desconhecida de São Gonçalo, por Erick Bernardes


No Pantanal existem apenas 56 residências/Foto: Erick Bernardes

Quando se fala em Pantanal, a mente da gente tão logo nos leva às regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em meio a jacarés e tuiuiús, sobre solo alagadiço e viscoso, onde a natureza avulta. Isso mesmo, mas não é privilégio de um ou dois estados a ostentarem nome de terreno assim. O que pouca gente se dá conta é o fato de pantanal ser mais um tipo de aumentativo que registro territorial. Pois é, aumentativo de pântano dá o quê? Claro que São Gonçalo possui seus recantos pouco habitados ainda. Você duvida? Tem Brejal, Buraco do Pato, Lagoa Seca, dentre outros logradouros e geografias incomuns. Impossível não haver por aqui também o seu pântano aumentado. Isto mesmo, falemos hoje do Pantanal, comunidade pertencente a São Gonçalo, reduto desconhecido pela maioria dos munícipes.


Houve no passado um tipo de alagadiço para os lados de Marambaia, pertinho do Rio Amauri, divisa com Itaboraí. No entanto, assuntos de charcos e alagados não existem mais. O lugar é pequeno e começou com a construção de 56 casas bem estruturadas. Nada relevante de história para contar, diria o morador do lugar:


— Aqui é tranquilo. Calmo e afastado. A única coisa que chama atenção é um lugar apelidado Plano dos Padrinhos. Há nada de brejo ou pantanal pra chamarem a região assim. Não tem nem tamanho pra ser sub-bairro. Pequeninho o espaço. É Marambaia e pronto. Já no caso do Plano dos Padrinhos é porque se trata de uma creche fundada por americanos. Os padrinhos de consideração das crianças da creche, eles batizaram a instituição de Forest Plain. Até hoje os estrangeiros sustentam o espaço.


Bem, eu não quis revelar ao meu narrador que o nome escrito em língua inglesa não significava o que ele pensava. Forest Plain transmutou para Plano dos Padrinhos sem explicação. Contudo, necessário reconhecer que o morador do Pantanal tem de fato lá sua razão. Nem matagal, nem tanta lama assim se vê pelas redondezas. No entanto, precariedade notória no quesito condução eu vi. Deus me livre de tanta demora de ônibus, cruz-credo. Uma linha da empresa outrora pertencente à Viação Tanguá se encontra agora administrada pela corporação rodoviária Galo Branco. Acaso alguém decida comprar produtos do dia a dia no Pantanal, também se verá em luta cotidiana; pouca moradia não sustenta comércio, sabemos disso. Perguntei ao morador se, após a troca da empresa de ônibus, melhorou a situação: “— Que nada, rapaz! Uma hora e meia de espera no ponto. Linha 39, Pantanal-Marambaia ou Vista Alegre-Pantanal, nem sei, mudam vez ou outra o trajeto”, respondeu desanimado.


Por fim, creio que já aprendi o bastante sobre mais uma região gonçalense. Lugar pequeno, 56 casas, Pantanal, uma localidade de Marambaia. Nada de pântanos e crocodilos. Duvido que você conhecia.

O 39 A fa a linha/Imagem Google Maps

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.





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