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Paulo Beckham: Um novo estilo em sintonia com a ancestralidade, por Oswaldo Mendes


Paulo Beckham/Foto: Arquivo pessoal

“Acho que a melhor forma de homenagear meus ancestrais é buscar fazer o melhor a cada momento, respeitando a singularidade de cada ser que é muito especial. Assim estou tentando”. Cita Paulo


Inicialmente estava pensando em apresentar seu relato em forma cronológica e também em esclarecer que seu trabalho na cultura vem de muito esforço, perseverança e aprendizagem contínua. A conversa se desenvolveu por quase três horas, o que seria projetado inicialmente para quarenta minutos.


Paulo Roberto Nascimento dos Santos, gonçalense, 36 anos de idade, nascido em Jardim Catarina onde ficou até os três anos de idade quando mudou-se para o Portão do Rosa. Amante da cidade e também do seu bairro onde atua em diversas atividades, dentre elas a cultura. Com dois filhos, torcedor do Botafogo e amante da Porto da Pedra são alguns dos seus amores.


Grambel Nascimento dos Santos - nordestino e Suely de Almeida – da Engenhoca. Um diferencial na sua vida pois tem dois pais, o outro, Luiz Leitão Firme, seu padrasto, o qual muito também o considera e tem ótima relação.


Hilda José Ribeiro, sua avó, foi sambista e inclusive alçou o posto de porta-bandeira do GRES Sabiá e seu avô – Cândido de Almeida, um dos fundadores do GRES Canarinhos da Engenhoca e cita que parece que seu avô chegou a exercer a função de Diretor de Harmonia.

Desde criança já escutava samba, pois sua mãe gostava muito da música popular brasileira. Era o início, ou melhor, a continuidade.


Tendo em vista dificuldades financeiras, sua mãe e padrasto acompanhavam ensaios de Escolas de Samba para vender produtos e aumentar a renda de casa, mas foi numa dessas saídas que ele foi levado ao bairro Paraíso, em São Gonçalo, e para seu espanto havia uma grande e bonita escola de samba na cidade, pois sempre ouviu de todos que a cidade não tinha nada.


Beckham conclui que este relato popular contínuo leva a baixa autoestima do Gonçalense: “As pessoas tem vergonha da cidade, pois os próprios moradores a rebaixam, a espezinham, a machucam diariamente, seja no lixo jogado no chão ou nas histórias passadas de pai para filho. O GRES Porto da Pedra é quase uma miragem nesse mar de desilusão”.


Na adolescência se afastou do samba e foi para o pagode. Já mais adulto, com a reaproximação do pai biológico, Grambel, o qual “desenrolou” a bandeira da Souza Soares, trouxe agremiação para São Gonçalo onde tiveram ótimos resultados, inclusive campeões, retornando após Niterói. Ele visitava a agremiação de vez em quando, mas seu foco era o pagode.


No Mundo do Samba o termo “enrolar a bandeira” ou “desenrolar a bandeira” significam respectivamente terminar com as atividades da agremiação e reiniciar com as atividades da agremiação.


Em 2007 desfilou pela primeira vez na Sapucaí, no Rio de Janeiro, quando ganhou uma fantasia da Acadêmicos da Rocinha. Experiência fantástica, mas ainda era sonho. Em 2010 desfila de novo. O samba o renovava em função dos diversos problemas.


Em 2004 escreveu um pagode e deixou na gaveta. Já iniciava um compositor neste ato.

Em 2011 desfilou na Souza Soares, onde foi o último ano do seu pai na presidência da agremiação. Atuou como Harmonia na Ala das Crianças. Neste mesmo ano lançou a ideia de lançar um bloco na localidade do Portão do Rosa e atualmente já vai para o décimo desfile de uma ideia consagradora – “Bloco Nunca Fui de Mal Contigo”. Em 2017 com a presença de mais de duas mil pessoas participaram do bloco, quando fizeram um samba desejando boa sorte ao Vinícius Junior, o qual era morador do bairro, pela ida para a Europa para jogar futebol.


Em face de necessidade e desconhecimento na área de Escolas de Samba, Beckham, pediu apoio a Independentes do Boassu – com Edinho, onde passou inclusive a desfilar. Frequentou a Viradouro e tentou entrar na Ala dos Compositores, mas ingressou mesmo, posteriormente, na Ala de Compositores da Porto da Pedra.


Com Bira, da Porto da Pedra, foi convidado a apoiar seu samba e ali aprendeu detalhes como a sinopse e a confeccionar sambas considerando que tinha capacidade para fazer um samba. Assim o fez quando participou de um concurso no seu bloco e deu certo. Com Bira e Duda SG criaram um grande laço e amizade, mas dois anos depois, em 2014, veio a sua primeira vitória de samba enredo.


Em 2013 desfilou na Ala dos Compositores da Porto da Pedra – uma catarse. Chuva de emoção. Se lembra muito do competente Bené do Cavaco, seu amigo.


Duda SG, Rod Torres, Kiko Ribeiro, Bira, Bené do cavaco, Evaldo, Jedir, Miltinho, João Perigo, Tem Tem Jr, Saulo Novato, William Neves, Lucas Honorato, Floriano do Caranguejo, Serginho Versador, Romeu e Daniel já formaram a parceria. Com Império da Tijuca, São Clemente, Mocidade Alegre em São Paulo, Colorados do Bráz, Tom Maior já colocou samba ou com os parceiros iniciais ou com outros que vieram aparecendo.


Em 2018 recebe um convite para a Botafogo Samba Clube com o enredo Túlio Maravilha – seu ídolo. Era seu primeiro samba na Intendente Magalhães. Quatro notas dez na avenida e subiu um grupo.

Já desfilou, fez samba e/ou participou pela Galo de Ouro, Unidos do Sacramento, Caprichosas do Bairro Antonina, Renascer do Mutuá, Unidos do Barro Vermelho São Clemente e Ilha do Governador.


Apaixonado por futebol, carnaval e praia. Inclusive na praia um amigo que era parecido com Tevez e numa brincadeira o chamaram também de Beckham e ali pegou o apelido que hoje virou nome artístico.


Na Laje do Ururu, é onde está participando da bancada de um programa de internet com Alexandre Araújo, da São Clemente, que tem como escopo falar sobre o samba e seus desdobramentos.


Vê com preocupação grupos profissionais que se encontram atualmente em disputas de samba, o qual em suas palavras excluem compositores pobres das disputas.


Essa é a bela história do vitorioso Paulo Beckmam na vida e no samba.

Oswaldo Mendes é engenheiro.




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