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Quarentena com o inimigo, por Cristiana Souza


Uma das principais recomendações para conter a disseminação do novo coronavírus é cumprir a quarentena ficando em casa para quem pode. Existem várias questões que devemos analisar e problematizar sobre a necessidade de se manter o isolamento social, mas nesse texto irei abordar o crescimento da violência doméstica contra as mulheres durante a quarentena.

Segundo dados do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), houve aumento de mais de 50% apenas no Rio de Janeiro, no número de denúncias desde que o isolamento começou.

"A convivência intensa, a tensão do momento e o próprio isolamento social, longe de parentes e amigos, contribui para que o número de casos de violência doméstica aumentem ou piorem. Mas os casos notificados ainda estão bem abaixo da realidade, afirma Marisa Gaudio, diretora de Mulheres da OAB-RJ".

A maioria das mulheres que sofrem algum tipo de violência doméstica ainda não denuncia seu agressor, devido a fatores que perpassam por vivermos em uma sociedade machista e patriarcal.

A culpabilização da mulher que sofre violência é um fator marcante em nosso convívio social; essa mulher já fragilizada, ainda tem que lidar com o julgamento de terceiros e consequentemente se calam e são caladas.

A violência contra a mulher possui características peculiares que nos ajudam a compreender a dinâmica das situações de violência que apontam de que a permanência por longos períodos em casa é fator principal para que o número de mulheres violentadas cresça.

A violência doméstica é um crime praticado hegemonicamente em casa pelo marido, companheiro, namorado, filho e pai. Estamos, dessa forma, diante de um crime afetivo, familiar. Para muitas mulheres, a sua própria casa que deveria ser o lugar mais seguro se torna a maior ameaça, uma vez que dentro dela vive o seu agressor. Dormir e acordar com o inimigo é a realidade dessas mulheres, que vivem o medo de ser morta pelo coronavírus ou por um homem que pode ser tão letal quanto o Covid 19. Denuncie através da Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia pelo Ligue 180 e pelo Disque 100.

Cristiana Souza é Assistente Social.




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