Após abstenção elevada em favelas, entidades cobram providências do TRE-RJ para segundo turno
No Salgueiro, em São Gonçalo, 32% dos eleitores transferidos para o shopping não votaram; índices chegaram a 28,46% na Maré e 26,86% na Rocinha
Por Helcio Albano

Seis organizações da sociedade civil cobraram do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) providências para evitar que os problemas registrados no primeiro turno das eleições se repitam no próximo dia 25. Em ofício encaminhado à Justiça Eleitoral, as entidades relatam falhas na comunicação sobre mudanças de locais de votação, dificuldades de deslocamento e filas que chegaram a ultrapassar três horas.
As transferências, determinadas por motivos de segurança, atingiram aproximadamente 202 mil eleitores em 20 municípios fluminenses. O TRE-RJ justificou as mudanças pela necessidade de garantir a liberdade do voto em territórios sob influência de organizações criminosas.
Os efeitos da reorganização chamaram atenção em três grandes conjuntos de favelas do estado. No Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, a abstenção chegou a 28,46%, com cerca de 26 mil eleitores ausentes. Mais da metade do eleitorado local precisou votar fora das comunidades onde reside. Moradores relataram caminhadas prolongadas e filas de até quatro horas.
Na Rocinha, Zona Sul da capital, 26,86% dos aproximadamente 100 mil eleitores não compareceram. No Ciep Ayrton Senna da Silva, uma fila chegou a 1,5 quilômetro. Um congestionamento de cerca de 2,5 quilômetros na Estrada da Gávea também dificultou a circulação de moradores no dia da votação.
Em São Gonçalo, levantamento exclusivo do Jornal Daki, com base nos boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou abstenção ainda maior nas 27 seções da 36ª Zona Eleitoral transferidas do Complexo do Salgueiro para o São Gonçalo Shopping, no Boa Vista.
Dos 8.908 eleitores aptos, 2.854 não compareceram, o equivalente a 32,04%. O índice ficou quase nove pontos percentuais acima da abstenção de 23,47% registrada no conjunto do município.
O ofício foi assinado por Sleeping Giants Brasil, Conectas Direitos Humanos, ARTIGO 19, Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), JUSTA e Instituto Ethos. As organizações defendem medidas para melhorar a informação aos eleitores, incluindo avisos nos antigos locais de votação, mensagens diretas e divulgação dos novos endereços por rádios comunitárias, associações de moradores e veículos de imprensa.
No primeiro turno, o juiz eleitoral Marcello Rubioli havia manifestado a expectativa de que as transferências não aumentassem a abstenção. Posteriormente, o TRE-RJ reconheceu problemas no fluxo de votação e anunciou ajustes para reduzir as filas no segundo turno.
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