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Crime organizado impulsiona falsificação de cigarros paraguaios no Brasil e 21 fábricas são fechadas em dois anos

Fábricas ilegais no Brasil falsificam marcas do Paraguai para reduzir custos e riscos; mercado ilegal responde por 32% do consumo; sonegação supera R$ 7 bilhões por ano


Operação fecha fábrica ilegal de cigarros em Ourinhos (SP) que falsificava marca paraguaia - Divulgação
Operação fecha fábrica ilegal de cigarros em Ourinhos (SP) que falsificava marca paraguaia - Divulgação


O avanço do crime organizado no comércio ilegal de cigarros provocou o fechamento de 21 fábricas clandestinas no Brasil nos últimos dois anos. A falsificação de marcas originárias do Paraguai ganhou força com mão de obra estrangeira, frequentemente submetida a condições análogas à escravidão. As informações são da Folha de S. Paulo.


Em julho de 2025, uma operação do Ministério Público do Trabalho em Ourinhos (SP) encontrou 14 trabalhadores paraguaios em alojamento insalubre, com jornada extensa e alimentação precária. A fábrica tinha capacidade para produzir 60 mil maços de cigarros por dia.


Desde 2012, foram fechadas 81 indústrias ilegais em 13 estados, com concentração no Sudeste (55 unidades). Só São Paulo responde por 28 fábricas. O mercado ilegal representa 32% do consumo nacional.


A carga tributária sobre o cigarro no Paraguai é de 18%, contra 70% a 90% nos estados brasileiros, o que explica a atração do contrabando. Para reduzir custos com transporte, tributação e o risco de perder cargas nas rodovias, o crime passou a instalar fábricas no Brasil que falsificam marcas paraguaias já conhecidas pelos consumidores.


A sonegação de impostos gerada pelo mercado ilegal supera R$ 7 bilhões anuais. As apreensões de cigarros paraguaios na alfândega de Foz do Iguaçu recuaram nos últimos anos, o que agentes atribuem à migração parcial do contrabando para outros produtos e à abertura de fábricas clandestinas dentro do Brasil.


O total apreendido em 2025 ainda equivale a R$ 421,17 milhões.


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