Estrada de Ferro 118 - seus efeitos para S. Gonçalo e Leste Fluminense
- Jornal Daki

- há 9 horas
- 4 min de leitura
Por Oswaldo Mendes

Quase a totalidade da população, sequer ouviu falar sobre a Estrada de Ferro 118 - EF118, mas ela virá logo a existir e, conforme seu trajeto, muito prejudicará as cidades do Leste Fluminense e também São Gonçalo.
Em época de eleição, vem sempre à tona várias propostas mirabolantes, dentre elas, a Linha 3 do Metrô e das Barcas partindo de São Gonçalo, mas quando se conhece a história da cidade, nota-se que, na maioria das vezes, é apenas discurso.
Para exemplificar a frase acima, temos a declaração de Luís Paiva, ex-secretário no governo de Aparecida Panisset, na qual, no capítulo contido às fls. 121/129 do livro São Gonçalo, Ontem e hoje: Ensaios sobre o Futuro, publicado em 2026, editora Apologia Brasil, apresenta que o mobiliário da linha de trem da Linha Porto Velho, onde atualmente está sendo instalado o MUVI, foi repassado à filha de um empresário de ônibus e esposa de um ex-governador.
Note que o sogro do ex-governador era empresário de ônibus; dessa maneira, quando que ele teria interesse em transporte de massa numa cidade dormitório?
Manter a cidade como depósito de mão de obra barata é um projeto.
Cercear o direito de ir e vir, baixa escolaridade para que não se tenha a capacidade de pensar e de interpretar textos; telas para que viciem-se em dopamina; desindustrialização para realimentar a violência, através do desemprego; saúde; saneamento ineficaz; agressão contínua ao Meio Ambiente; sistema de saúde precário; inexistência de locais adequados para lazer, destarte, acabaram com os clubes, jogando os jovens nas mãos dos núcleos de violência, religião e política aliadas; corrupção e governos sem nenhum interesse em mudar. Um quadro, no mínimo, vergonhoso.
As cidades que estão em torno de São Gonçalo vêm adotando medidas para melhorar a qualidade de vida das pessoas. São Gonçalo, não.
A EF-118, também conhecida como Ferrovia Vitória-Rio ou Anel Ferroviário do Sudeste, é um projeto de infraestrutura de transporte com aproximadamente 575 quilômetros de extensão, planejado para conectar a Região Metropolitana do Rio de Janeiro a Santa Leopoldina, no Espírito Santo.
O empreendimento busca integrar os principais portos, polos industriais e de energia dos dois estados à malha ferroviária nacional (como a MRS Logística e a Estrada de Ferro Vitória – Minas Gerais).
Há atualmente trajetos em discussão, sendo eles: O traçado original que abrange todo o eixo de Nova Iguaçu (RJ) à Santa Leopoldina (ES). O Ministério dos Transportes e a ANTT – Agência Nacional de Transporte Terrestres, que dividiram a concessão em fases, gerando debates sobre o cumprimento integral da obra:
Fase Obrigatória (Trechos Central e Norte): Liga Santa Leopoldina (ES) a São João da Barra (RJ), onde fica o Porto de Açu, em São João da Barra, totalizando cerca de 246 km. Esta fase é considerada prioritária e de execução obrigatória para o concessionário vencedor.
Trecho Sul (Fase Contingente): Compreende os 325 km que ligam o Porto do Açu à Nova Iguaçu (RJ), cruzando o estado fluminense. O governo federal o classificou como "investimento contingente". Sua execução depende de "gatilhos de demanda" (como a expansão industrial) ou aportes por reequilíbrio econômico.
A Proposta de Extensão via Leste Fluminense
Lideranças políticas locais, o Clube de Engenharia, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - FIRJAN e alguns membros da bancada fluminense pressionam para que o Trecho Sul não seja apenas uma promessa futura, mas sim, construído simultaneamente à primeira fase.
A proposta defendida prevê que a linha férrea saia do Norte Fluminense e desça integrando o Leste Fluminense — passando por Maricá e Niterói, logicamente por São Gonçalo, antes de seguir para a Baixada Fluminense via Duque de Caxias e Nova Iguaçu. O objetivo central dessa rota é conectar a ferrovia diretamente ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), em Itaboraí.
Prejuízos ao Leste Fluminense, caso a Extensão não Ocorra, poderão levar a diversas perdas para os municípios do Leste Fluminense.
A não realização do Trecho Sul isolará a infraestrutura do Rio de Janeiro, gerando os seguintes impactos negativos:
Esvaziamento Logístico do Complexo Boaventura: Sem trilhos, o polo petroquímico e de gás de Itaboraí perderá a capacidade de escoar insumos pesados a baixo custo para o restante do Brasil. [1]
Transformação do Porto do Açu em um Terminal de Passagem: Sem a descida dos trilhos para o Leste Fluminense e para a capital, a ferrovia servirá, essencialmente, para que commodities e minérios de outros estados acessem o Porto do Açu para exportação, sem gerar agregação de valor industrial ou empregos na Região Metropolitana.
Dependência Crônica das Rodovias: O transporte continuará sobrecarregando rodovias saturadas como a BR-101 Sul e a RJ-106, encarecendo o frete de mercadorias no eixo Niterói-Maricá-Itaboraí.
Perda de Competitividade na Atração de Indústrias: Setores de química fina, fertilizantes e siderurgia preferirão se instalar em regiões que contam com o modal ferroviário conectado à malha nacional.
Perda do Efeito de Rede Econômico: O Leste Fluminense ficará de fora do corredor que integra os mercados do Sudeste com o agronegócio do Centro-Oeste e do Matopiba, freando o desenvolvimento regional pelos próximos 50 anos.
Ressaltamos a necessidade de que venha acontecer discussões por parte da Sociedade Civil, dos poderes constituídos sobre o assunto (Poder Executivo Municipal e Câmara de Vereadores da cidade), pois, até o momento, nada vimos sobre o assunto na cidade, a qual deveria ser a maior interessada. Ou, em suma, será que estão cozinhando com fogo baixo, sem se envolverem?
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Oswaldo Mendes é engenheiro e professor.








































































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