Homens gays realizam sonho de ter filhos em novas formas de paternidade
- Jornal Daki

- há 1 hora
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Casais brasileiros celebram primeiro Dia dos Pais com filhos nascidos por gestação por substituição; caminhos envolvem barriga solidária, adoção e custos que podem chegar a R$ 741 mil

O primeiro Dia dos Pais com os filhos nos braços marca a realização de um sonho que, durante boa parte da vida de muitos homens gays, parecia impossível. Felipe Barros, 37, e Rafael Amaral, 35, celebram a chegada de Leo, nascido em março. Os influenciadores Lucas Rangel, 29, e Lucas Bley, 34, comemoram com Mia, há dez meses. Para eles, a paternidade, antes impensável, tornou-se realidade. As informações são a Folha de S. Paulo.
Durante décadas, a ideia de paternidade esteve associada ao modelo heterossexual. Muitos homens gays cresceram sem referências de si ocupando o lugar de pai. Felipe, ator e roteirista, chegou a cogitar reprimir a sexualidade para realizar o sonho.
“Cresci na década de 1990. Esse debate de um homem gay ter filho simplesmente não existia”, afirma.
A psicóloga Natália Aguilar explica que, sem referências concretas, muitos cresceram sem “autorização simbólica” para projetar o lugar de pai.
Para casais gays, a parentalidade é resultado de anos de decisões médicas, financeiras e emocionais. Os caminhos jurídicos possíveis são a gestação por substituição — popularmente conhecida como barriga de aluguel ou barriga solidária — e a adoção.
No Brasil, o agenciamento comercial de gestantes é proibido, mas a cessão temporária do útero é permitida desde que a gestante tenha pelo menos um filho vivo e seja parente de até quarto grau de um dos integrantes do casal. Quando não há familiar disponível, é possível recorrer a outra mulher, com autorização prévia do CRM. O processo não pode ter finalidade comercial, e a doadora dos óvulos não pode ser a mesma que realizará a gestação.
O ginecologista Gustavo Teles, membro da SBRA, relata aumento gradual na procura por esses procedimentos, impulsionado por avanços tecnológicos e por normas do CFM que garantiram formalmente o direito de acesso da comunidade LGBTQIA+ aos tratamentos.
O reconhecimento do STF, em 2011, de que uniões entre pessoas do mesmo sexo constituem entidades familiares também foi fundamental. A visibilidade de famílias como a do ator Paulo Gustavo com o médico Thales Bretas contribuiu para tornar a paternidade gay mais conhecida. Atualmente, 6% dos tratamentos de reprodução assistida no país envolvem casais homoafetivos.
Quando o casal não encontra uma mulher que possa realizar a gestação dentro das regras brasileiras, é possível recorrer a países como Estados Unidos, Colômbia, México e Argentina. Os custos variam: o processo na Colômbia gira em torno de R$ 334 mil, enquanto nos EUA pode chegar a R$ 741 mil. Felipe e Rafael optaram pela Argentina e gastaram cerca de R$ 500 mil até o nascimento de Leonardo.
A adoção segue as mesmas regras aplicadas a casais heterossexuais, com o critério central sendo o melhor interesse da criança, não a orientação sexual dos pretendentes.
Para a psicóloga Camila Ribeiro, a complexidade dessas trajetórias pode gerar desgaste emocional, mas também favorece um alto nível de preparação.
“Ao chegar, essa criança é fruto de um desejo altamente elaborado e consciente”, afirma.
Para os influenciadores Lucas Rangel e Lucas Bley, expor a paternidade nas redes sociais, onde somam mais de 30 milhões de seguidores, é uma forma de provocar mudança.
“Quem sabe a gente consiga mostrar para um menino gay, que sonha em ter uma família, que é possível”, diz Rangel.
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