De repente 30
Por Helcio Albano

Douglas Ruas (PL) chegou aos 30 pontos na última rodada do Datafolha (24/9). Em pouco mais de 1 mês, o candidato da direita bolsonarista saiu de 9-11 pontos para os agora 30 do eleitorado fluminense.
O resultado o aproxima da régua do Flávio no estado, que na mesma pesquisa lidera com 44 pontos frente a Lula com 38.
Ou seja, demorou. Mas, enfim, as campanhas estão casadas na percepção do eleitor bolsonarista radical e/ou antipetista — algo em torno de um terço do eleitorado —, tornando-se seu polo natural de atração. Isto está consolidado.
Resta agora saber se Douglas avançará, sobretudo, no eleitorado dito independente. Exatamente o grupo onde pesa nas pernas duas imensas bolas de chumbo, de nome Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar.
Douglas tem feito de tudo pra se desvencilhar do governo passado maldizendo os antigos chefes.
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Mas é como fazer crer à opinião pública não ter a menor ideia do que se passava no interior da casa de tolerância onde era um dos seus mais animados frequentadores.
Não há dinheiro, marketing refinado ou erros crassos dos adversários que apague do seu corpo as marcas de batom ou de sua roupa o odor de perfume barato.
Afinal, foram quase 6 anos de "job" num governo atravessado por denúncias, investigações e escândalos de corrupção. E uma prova disso está no mesmo levantamento, que o aponta como o candidato mais rejeitado, ultrapassando o Paes e só abaixo do Garotinho.
Independente do bolsonarismo que o alavanca, Douglas mostrou-se competitivo. Porém, irá perder a eleição. Já agora no 1º ou num eventual 2º turno.
Mas sairá forte o suficiente para ditar os velhos rumos em São Gonçalo.
Plus
Não, eu não tirei esses dados de minha cabeça.
Há um mês, segundo dados consolidados no site do Datafolha, apenas 37% dos eleitores de Flávio votavam em Douglas para governador. Depois foram 56%. Agora são 63%.
No mesmo período, Douglas fez 19%, 25% e, finalmente, 30%.
Bônus
Na rodada anterior, quando estava nos 25%, Douglas já havia saltado de 33% para 48% entre os bolsonaristas. Entre os eleitores não alinhados — onde está boa parte daquele eleitorado que chamamos de independente —, porém, mal se mexera: de 12% para 14%. Paes, nesse mesmo grupo, tinha 45%.
Ainda há 21% dos eleitores de Flávio com Paes, segundo o Datafolha de 24/9. Seria um erro, porém, contabilizá-los como bolsonaristas esperando Douglas chegar. Voto em Flávio não é sinônimo automático de bolsonarismo radical. Ali podem estar antipetistas sem fidelidade, conservadores moderados, independentes ou simplesmente eleitores do voto cruzado.
Bônus-track
Falta o cruzamento dos não alinhados na pesquisa em que Douglas chegou aos 30.
É ele que dirá se o candidato finalmente começou a crescer para fora.
Se continuar perto dos 14%, saberemos onde moram os 30.
E qual o peso real das bolas de chumbo.
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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.









































































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