Editorial: Unidade estudantil é uma imposição histórica para derrotar a extrema direita
Os estudantes da UFF foram às ruas de Niterói poucas horas depois de abertas as urnas que levaram Lula e Flávio Bolsonaro ao segundo turno. Mais que uma manifestação de apoio ao presidente, o ato antecipou uma resposta que partidos, movimentos sociais e organizações democráticas terão de dar nas próximas semanas: diante da extrema direita, a unidade tornou-se uma obrigação histórica.
Não é a primeira vez que o movimento estudantil brasileiro se vê diante dela. Houve momentos em que diferenças políticas legítimas precisaram ceder espaço a questões maiores. A defesa da democracia contra a ditadura e a reconstrução da UNE foram algumas dessas encruzilhadas.
A eleição de 2026 apresenta a sua.
Há divergências profundas entre partidos, correntes, coletivos e entidades estudantis. Elas não desaparecerão e nem deveriam. Unidade não significa silêncio, adesão ou renúncia a projetos distintos. Significa compreender o tamanho daquilo que está diante de todos.
Foi o que os estudantes da UFF fizeram ao ocupar as ruas de Niterói já no dia seguinte à eleição.
Universidade pública, ciência, cultura, políticas de inclusão e liberdade acadêmica conheceram o governo Bolsonaro. Para muitos daqueles jovens, não se trata sequer de uma memória política distante. Sua formação ocorreu sob aquele ambiente.
Por isso, a unidade não pode esperar pela solução das diferenças internas, pela composição perfeita ou pelo cálculo de quem comandará o movimento.
A história raramente oferece condições ideais.
Às vezes, simplesmente cobra uma escolha.
Na segunda-feira, os estudantes da UFF fizeram a deles.

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