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São Gonçalo: 'cidade partida' entre Oeste e o Centro-Leste nas urnas de 2026

há 35 minutos
3 min de leitura

Análise técnica produzida pelo engenheiro e articulista do Daki Oswaldo Mendes revela uma cidade dividida, com Lula à frente no Oeste e Flávio no Centro-Leste, região de expressiva votação da família Ruas


Por Helcio Albano


São Gonçalo/Foto: reprodução
São Gonçalo/Foto: reprodução


A eleição presidencial de 2026 desenhou um novo mapa político em São Gonçalo. Se no panorama geral Flávio Bolsonaro (PL) venceu o município nos dois turnos, a análise aprofundada dos dados revela uma cidade partida ao meio: um Oeste majoritariamente petista e um Centro-Leste que se mantém como fortaleza da direita.


Os dados são do relatório técnico "Análise Eleitoral de São Gonçalo e do Leste Fluminense", do engenheiro e aticulista do Daki Oswaldo Mendes, baseado em dados do TSE.


No 1º turno, Flávio Bolsonaro obteve 52,37% dos votos válidos contra 40,41% de Lula, abrindo uma vantagem de 56.545 votos. A vitória foi territorialmente ampla, ocorrendo em 56 dos 64 bairros. No entanto, a geografia de volume é compartilhada: Trindade e Jardim Catarina lideram o ranking de ambos os candidatos, provando que a diferença não está na localização dos votos, mas na margem obtida nos grandes colégios eleitorais.


A grande virada veio no 2º turno. Lula cresceu expressivos 23,7% em São Gonçalo (saltando de 190 mil para 236 mil votos), enquanto Flávio cresceu apenas 3,3%. A desvantagem do PT caiu de 56,5 mil para 19,4 mil votos.


O dado mais impressionante é o destino dos votos: dos 53.373 votos acrescidos aos dois candidatos no 2º turno, 84,7% (45.217 votos) foram para Lula, capturados principalmente de eleitores que votaram em outros candidatos ou anularam o voto no 1º turno.


A manutenção da vantagem de Flávio no Centro-Leste coincide com a presença eleitoral da família Ruas, que comanda a Prefeitura de São Gonçalo por meio de Nelson Ruas, o capitão Nelson (PL). Bairros como Trindade, Jardim Catarina, Colubandê, Santa Isabel e Laranjal também registraram votações expressivas de integrantes do grupo político nas eleições de 2026.


A sobreposição territorial indica uma base eleitoral compartilhada, embora os resultados, isoladamente, não permitam atribuir a vantagem presidencial à atuação da administração municipal.


Tabela 1 – Desempenho por Distrito Administrativo (1º e 2º Turnos)

Distrito

Lula 1º T

Lula 2º T

Flávio 2º T

Saldo 2º Turno

4º Distrito (Neves)

45,3%

52,6%

47,4%

PT +3.910

5º Distrito (Sete Pontes)

45,4%

52,6%

47,4%

PT +2.312

1º Distrito (São Gonçalo)

40,1%

47,4%

52,6%

PL +9.649

3º Distrito (Monjolos)

36,9%

44,8%

55,2%

PL +8.871

2º Distrito (Ipiíba)

38,3%

46,5%

53,5%

PL +7.186

Nos distritos de Neves e Sete Pontes (Oeste), Lula virou todos os bairros, alcançando 52,6% dos votos válidos. Já no Centro-Leste (1º, 2º e 3º distritos), o PL manteve margens acima de 52%, impulsionado por bairros como Trindade, Jardim Catarina e Colubandê.


A análise detalhada do crescimento de Lula mostra uma tendência curiosa: ele cresceu mais onde era mais fraco. Monjolos (+26,5%) e Ipiíba (+26,1%), no Leste, tiveram os maiores crescimentos percentuais, embora partindo de uma base menor. Por outro lado, os maiores ganhos em votos absolutos ocorreram nos grandes colégios: Trindade (+2.246) e Jardim Catarina (+2.217).


Tabela 2 – Maiores ganhos absolutos de Lula (2º Turno)

Bairro

Ganho de Votos

Trindade

+2.246

Jardim Catarina

+2.217

Colubandê

+1.965

Santa Isabel

+1.473

Brasilândia

+1.470


Apesar da força do PT no Oeste, o cenário geral do município ainda é desafiador. São Gonçalo registrou a maior taxa de abstenção da região no 1º turno (cerca de 153 mil eleitores) e uma alta proporção de votos brancos e nulos.


Mesmo no 2º turno, restaram 12.929 votos nulos no município — um contingente que equivale a dois terços da diferença final entre os candidatos. Esse eleitorado, que rejeita ambos os polos, segue como o grande fiel da balança para o futuro da política gonçalense.


(Fonte: Relatório Técnico "Análise Eleitoral de São Gonçalo e do Leste Fluminense", de autoria do Eng. Oswaldo Mendes)


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