'Exército do Lula' chega a quase 3 milhões de seguidores e Janones assume comando da guerra digital
Canal no WhatsApp cresceu rapidamente após o primeiro turno; deputado estabelece pauta diária, orienta publicações e cobra atuação coordenada dos apoiadores

O deputado federal André Janones (Rede-MG) transformou um canal de WhatsApp em uma das principais estruturas de mobilização digital pela reeleição do presidente Lula (PT). Batizado de “Exército do Lula”, o espaço alcançou cerca de 2,8 milhões de seguidores nesta sexta-feira (9), depois de registrar aproximadamente 50 mil antes do primeiro turno.
A expansão ocorreu enquanto a campanha presidencial reorganiza sua comunicação após Lula terminar a votação de domingo (4) atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Janones afirma que iniciou a mobilização por conta própria, sem esperar decisões da coordenação petista.
Na quinta-feira (8), durante uma transmissão ao vivo, o parlamentar apresentou regras para a atuação dos participantes. Defendeu comando centralizado, divulgação de um assunto por dia e compartilhamento coordenado de vídeos e mensagens nas redes sociais.
A estratégia privilegia temas como Bolsa Família, ProUni e fim da escala de trabalho 6x1. Janones também cobra uma comunicação mais informal do presidente, com vídeos gravados pelo próprio Lula e maior aproximação com o cotidiano dos eleitores.
O crescimento do canal provocou reação de adversários. O senador Carlos Viana anunciou uma iniciativa perante a Justiça Eleitoral para questionar o funcionamento da estrutura, incluindo eventual contratação de pessoas para produzir e distribuir conteúdo. A existência de irregularidades não foi demonstrada.
A mobilização também desperta discussões sobre os limites da disputa de narrativas. Em sua transmissão, Janones afirmou que a interpretação dos acontecimentos pode ter mais influência eleitoral do que os próprios fatos. A declaração foi destacada em reportagem publicada nesta sexta-feira pelo portal Claudio Dantas.
O canal, criado originalmente em abril, tornou-se uma ferramenta de distribuição de conteúdo político em larga escala. Seu crescimento evidencia a importância adquirida pelo WhatsApp na disputa presidencial, mas o número de seguidores, isoladamente, não permite medir quantos votos a iniciativa poderá mobilizar.
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