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A Cura, por Rafael Abreu


Imagem: Escola da Inteligencia

Quando estamos doentes e acamados, os nossos planos e sonhos ficam muito distantes de nós. 


A vida passa pela cabeça como se fosse um filme. Você se pega pensando em tudo que já fez ou deixou de fazer, além do que te levou a estar ali.

Pintam as dúvidas, as incertezas e só ali você consegue se dar conta de que a vida é muito frágil e que nós somos muito vulneráveis.

Até você, que se sente forte e inabalável, a sua vida não passa de um simples sopro.

Você sustenta uma pose ou uma posição durante toda a sua vida. Porém, quando estamos entre a vida e a morte, nada disso faz sentido ou tem valor. Nesse momento, você acaba pensando na vida que você não levou e como ela poderia ter sido alegre, mais leve e abundante.


Você se depara pensando... devia ter amado mais, chorado mais e ter visto o sol nascer. 

E por quê nós somos assim?

Por que não amamos mais, não nos sensibilizamos mais com a dor do outro?

Onde foi que a humanidade se perdeu?

Ou nunca nos encontramos?

Por que agimos como agimos e pensamos da forma que pensamos?

A resposta para essas perguntas pode parecer complexas demais, de fato, mas as melhores respostas são as mais simples e coerentes.

Agimos como agimos e pensamos como pensamos, por que somos produto desse meio. Porque desde muito cedo, a cultura local, a educação ou a doutrinação religiosa, exercem esse poder de nos colocar em uma redoma social. Onde os seus atos e a sua forma de agir, pensar e enxergar o mundo, fique reduzida e limitada ao que lhe foi apresentado ou ensinado.

Somos condicionados a trabalhar e a "vencer na vida", o que gera uma competição entre nós.

Se partirmos do princípio de que para haver um vitorioso, necessariamente precisa existir perdedores, a vida por si só, acaba virando um jogo de perde e ganha. Existem pessoas que para ganhar e um dia se sentir "vitorioso", faz qualquer coisa,  trapaceia, se corrompe, se prostitui e até roubam ou assassinam por isso.

Todos querem vencer nesse jogo da vida.

Mas vencer o quê?

Chegar aonde?

Quando estamos doentes a nossa única meta e objetivo na vida, passa ser a luta para sobreviver, a luta pela cura.

Nesse momento o mundo está doente e as pessoas estão em crise.

Algumas em crises financeiras, outras em crises existenciais ou rotina familiar, outras estão em crises psicológicas.

Mas quando estamos muito doentes perto da morte, a única coisa que pensamos é na vida.

Nesse momento de pandemia, o mundo procura a cura, que pode chegar ou não.

A vacina que foi descoberta de forma mais rápida na nossa história, foi a do vírus ebola, e levou 5 anos para que viesse ser utilizada nas pessoas.

Se a cura dessa vez vier em tempo recorde, estaremos a salvo, porém se ela demorar 5, 10 anos, ou nunca for descoberta, como a cura para o HIV por exemplo, como ficará a humanidade?

A cada dia morre mais de mil pessoas só no Brasil, vítimas da covid-19 e os números só aumentam. Multiplique isso por 365 dias e depois multiplique por 5. Os números são assustadores.

O mais assustador, é que esses números são pessoas, são vidas e histórias interrompidas repentinamente por conta de um vírus microscópico.

Como se isso não fosse o suficiente para causar o caos e o pânico, ainda temos que lidar com um governo que pratica abertamente e livremente a sua Necropolítica liberal. Além de muita polarização ideológica, fake news e muito descaso com a vida das pessoas.

O que o futuro reserva para o nosso país e para a nossa humanidade, ainda é uma incógnita.

Mas assim como a natureza vem se regenerando nesses tempos de isolamento social, eu espero sinceramente que a nossa sociedade, encontre a sua humanidade perdida e encontre a cura para essa doença.

Eu sou Rafael Abreu, colunista Daki.

Rafael Abreu escreve para o Daki uma vez por semana.




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