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São Gonçalo e seus ícones literários: Alberto José de Paula Silva

São Gonçalo e seus ícones literários

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(Séc. XIX)


ALBERTO JOSÉ DE PAULA SILVA


Por Erick Bernardes


Pintor, jornalista, professor e poeta. Aprendeu também as artes plásticas com Ari Parreiras. De acordo com Maria Nelma C. Braga, no livro O município de São Gonçalo e sua história, (2006, p. 131), Alberto Silva é “patrono da 1ª Academia Fluminense de Letras. Fundador do Jornal ‘A Cidade do Rio’ juntamente com José do Patrocínio, Quintino Bocaiúva e Alcindo Guanabara” e se mostrou um incansável pela Proclamação da República.


Estudou no Laranjal, Estação Alcântara, Colégio Guilherme Briggs, em Niterói, e (mais tarde) no Colégio Pedro II. Alberto Silva foi contemporâneo e amigo dos famosos poetas Raimundo Correia, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Arthur Azevedo, Coelho Neto, Raul Pompeia, dentre tantos escritores de renome. Ele não deixava em nada a desejar em seu estilo sobremaneira parnasiano, vejamos um dos seus poemas inscrito em Sonetos Brasileiros (1913), organizado por Laudelino Freire:


Os Bois


No sereno verdor perpétuo da Campina,

Onde, ao pino do sol, dormem como pedrouços

Eles, plácidos, vêm, de colina em colina.

Rasgando os ervaçais com os longos arcabouços


Logo todo o listão do rio se carmina

De luz, quedam-se além os últimos retouços

O florido beiral das rochas se ilumina,

Por entre o ramalhar dos chifres dos colossos


E o silêncio se estende, amplíssimo. Erradios

Vultos, montes, currais, tudo brilha e flutua,

Tudo se esbate e esvai em longos murmúrios.


Um suave palor enche a planície nua...

E, no côncavo azul dos seus olhos sombrios,

Como a curva do céu, fulge o disco da lua.



Sabe-se que Alberto José de Paula e Silva (Alberto Silva) nasceu em Sete Pontes, em 10 de agosto de 1865 (BRAGA, p. 131, 2006) ou 20 de agosto de 1862 (SILVA, p. 23, 1995), pois há divergências quanto à data de nascimento. Seus pais foram os importantes Doutor Francisco José de Paula e Silva e Girmina C. de Paula e Silva. Alberto publicou em 1885 o livro de poemas Matinais. Em publicação póstuma, veio a público a obra também de poesia Nômades e Sedentários.


Trabalhou como Inspetor Escolar do Estado do Rio, exerceu o cargo de Diretor do Grupo Escolar Barão de Macaúbas, foi Oficial do Tesouro Nacional e Professor de Desenho do Ginásio Fluminense. Maria Nelma Carvalho (2006, p. 131) ressalta que, embora Alberto Silva tenha sido funcionário público concursado, ele foi “exonerado por defender o movimento republicano”. Esse nosso intelectual gonçalense faleceu no dia 31 de maio, no ano de 1929. Já Salvador da Mata e Silva, nos oferece a data de óbito como sendo de 31 de maio de 1912, no bairro do Fonseca, em Niterói” (MATA E SILVA, p. 23, 1995).


Em sua homenagem nomearam a Escola Estadual Alberto Silva, no bairro Tenente Jardim, ainda hoje em funcionamento, na Rua Dr. March, número 775. Enfim, Alberto José de Paula e Silva, um intelectual gonçalense atuante e motivo de orgulho para a cidade.


Referências:

BRAGA, Maria Nelma Carvalho. O município de São Gonçalo e sua história. 3 ed. Niterói, RJ: Nitpress, 2006.


FREIRE, Laudelino (org.). Sonetos brasileiros: século XVII-XX. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cia, 1913.


SILVA, Salvador Mata. Eles nasceram em São Gonçalo. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1995. Coleção IPDESG.

Foto do livro Nômades e Sedentários, de Alberto José de Paula Silva

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.



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