Quando os extremos causam desequilíbrio na política e na vida
Por Rofa Rogério Araújo

Os extremos causam desequilíbrio na política e na vida quando anulam o diálogo, eliminam a nuance e transformam a busca por soluções em um embate de “nós contra eles”. Tanto na escolha de governantes de um país, quanto na rotina pessoal, a radicalização e a falta de moderação geram polarização, cegueira ideológica, esgotamento mental e rupturas nas relações interpessoais.
Na política, há o chamado “dogmatismo” quando o próprio lado está totalmente certo e o oposto é o inimigo a ser destruído e está totalmente errado. Existe uma verdadeira filtragem de informações para consumir apenas o que pode validar a própria crença, o que ocasiona acreditar apenas no que e em quem diz o que interessa e confirma suas ideias previamente definidas.
Existe uma espécie de “paralisia institucional” com uma dificuldade em aprovar reformas e uma erosão da democracia tudo porque um lado no pode fazer nada que, na visão deles, beneficia o outro, mesmo que isso seja em prol do coletivo e o país. E o pluralismo, ou seja, uma negociação, respeito às leis e busca por consensos mínimos que, muitas vezes, falta a maioria que defende não o todo, mas apenas suas convicções.
Na Vida, os extremismos de comportamento prejudicam e, muito, o dia a dia, com rigidez mental numa dificuldade em aceitar imprevistos ou opiniões diferentes. Tudo é “8 ou 80”. Um isolamento e conflito ou um rompimento de laços familiares e de amizade por divergências de opinião.
Ocasiona uma doença conhecida como Burnout associada ao estresse, um esgotamento físico e mental por obsessões (trabalho excessivo, dietas extremas etc.). O equilíbrio ou o “caminho do meio”) seria a autocompaixão, flexibilidade e inteligência emocional. Assim, tudo levaria a uma melhor na convivência entre as pessoas e não um egoísmo de ideias onde apenas um que é a correta e deve prevalecer e a outra não, pois está totalmente errada.
Existem alguns sinais de que o extremismo passou dos limites e para identificar se as posições extremas estão gerando desequilíbrio, vale notar os seguintes comportamentos:
. Perda de nuance – Incapacidade de ver pontos positivos no outro lado ou erros no seu próprio grupo/comportamento. De modo que não há diálogos, mas discussões infundadas simplesmente por divergir do lado oposto.
. Justificativa de meios cruéis – Aceitar mentiras (fake News) ou comportamentos tóxicos desde que o “objetivo final” seja alcançado. E é levado tão a sério que acreditam em tudo que é repassado mesmo os maiores absurdos porque corrobora o que é defendido por um lado que se acha o corretíssimo.
. Foco no conflito e não na solução – Dedicar mais energia a atacar o oponente do que a resolver o problema real. Isso demonstra um egoísmo absurdo, já que discutir ideias é necessário para se chegar a uma reflexão sobre ambos os lados e não ignorar por não querer nem parar e pensar.
Seja na obsessão por uma ideologia política ou no perfeccionismo tóxico do dia a dia, o segredo da estabilidade reside na moderação e na capacidade de adaptação. Somente assim será possível conviver com os extremos sem que eles causem um total desequilíbrio tanto na política quanto na vida.
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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.








































































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