Pense por um tempo
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Pense por um tempo

Por D.Freitas


Jornal Daki com IA
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O tempo é um senhor bonito, soberano, um deus presente em todas as crenças. O princípio e o nosso fim, mas a nossa compreensão sobre ele nem sempre é assim, tão madura e sua passagem não é sempre tão perceptível. Creio que o tempo amadureça de forma oposta a nós. Quando nascemos, ainda nem falamos e o tempo urra. Tatua o momento em que choramos pela primeira vez na nossa vida de forma que sempre que precisarmos fazer algo importante, precisaremos lembrar de sua existência. Sabemos o que é pressa antes mesmo de saber o que somos. O anseio pelo leite e pelo colo materno, o único acalento que pode nos tirar do caos que é não saber o que é absolutamente nada, até descobrirmos o que significa tudo. A nutrição, o carinho, o pulsar do coração, o sabor, o ar, o pulmão... Tudo está no ato da primeira alimentação e do primeiro colo. Ali, está um breve índice de nossas vidas. Nesse momento, até o tempo diminui o passo, em seguida, segue em frente e assiste nossa lentidão ao engatinhar. Ele já corre. Tentamos perseguir aos passos quadrúpedes desengonçados. Aos berros banguelas pedimos para ele parar, porque só achamos que entendíamos de tudo, reclamamos aos balbucios, até que entendemos que se formarmos os sons de certa forma, outros como nós conseguem nos entender. Sejam grandes ou pequenos. Chamam de palavras. Se tornam presentes e constantes, às vezes importantes, às vezes não, às vezes firmes, às vezes só vento.... Dúbias. Como o tempo nessa fase. Ele voa quando estamos no horário de lazer, rasteja quando estamos no horário das obrigações. Da escola ao trabalho. 


Descobrir o trabalho é descobrir que o tempo não importa. Existe algo que manda um pouco mais na nossa vida e se chama "dinheiro". Algumas pessoas vão tentar tomá-lo, outros tentam "fazê-lo", outros - sortudos - nascem repletos disso. Quanto mais dinheiro se tem, mais tempo livre. Contudo, quem normalmente tem mais dinheiro, gasta o tempo buscando ainda mais finanças e quem menos tem dinheiro, só quer ter o suficiente para ter um pouco mais de tempo. Tempo esse que agora não se mostra tão presente como quando saímos da época de apenas ter choro como repertório, até o momento de conseguir escrever um livro. Aguarda soturno enquanto nos preocupamos com o carro do ano, com a roupa da moda ou com a conta d'água que tá atrasada. Nos espreita enquanto discutimos as relações conjugais. Quando passamos tempo vendo redes sociais ou quando dormimos demais no domingo de tarde. De repente ele salta e fisga suas garras em nosso pescoço. Um bote feroz mas sutil. Não deixa marcas, não faz estrondo, felino. Não há choro. Não há nada. Para alguns ainda há colo e acalento. Nosso tempo acaba

O tempo não.


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Davi Freitas (D.Freitas) nasceu em São Gonçalo, cria da cultura gonçalense, desde sempre conviveu com músicos, poetas e escritores. autodidata, aprendeu violão e bateria sozinho e junto com o irmão Lucas Freitas fez algumas apresentações até ter, por motivos profissionais, que mudar de estado. Como escritor, participou, pela Editora Apologia Brasil da Antologia em Tempos Pandêmicos e inicia agora sua trajetória no mundo das crônicas e contos. 

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