Agonizar, morrer, renascer
- Jornal Daki

- há 6 dias
- 2 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

Certa vez alguém me disse que o carnaval de São Gonçalo estava acabado, que nunca mais haveria desfiles, nunca mais um bloco sequer. Desde o governo de Aparecida Panisset não se ouve o som de um surdo de primeira, não se ouve uma cuíca roncando, um samba sendo cantado pela multidão em desfile. O silêncio tomou conta do mês de fevereiro que passou a chorar cada vez mais forte lavando as ruas, levando lembranças, acabando com os muitos romances que certamente começariam, não deixando que novembro trouxesse ao mundo novos foliões para que se renovasse a esperança, a folia, os romances e a vida.
Ouvi também Nelson Sargento cantar muitas vezes que “o samba agoniza mais não morre.” Em São Gonçalo não agonizou. Teve um infarto fulminante e se foi de vez. Passamos vários fevereiros sem esperança de que ele nos enfeitasse os corações de confete e serpentina, nos enchesse os olhos com fantasias belíssimas, requebros e rodopios. Só saudades, nada mais.
E quando tudo parecia turvo, nublado, sem uma luz no fim do túnel, eis que ouço um compositor cantarolar um samba de enredo novo, começo a ver movimentos de penas, lantejoulas, paetês, o sorriso de volta àqueles rostos de presidentes de agremiações que eu pensava nem existir, acordo numa manhã de março e voilá! É novamente carnaval! Mais em abril? Sim! Em abril. Poderia ser em setembro, agosto, qualquer mês, qualquer dia.
O importante é que ele voltou. Aquela pequena chama de esperança, foi soprada pela insistência dos presidentes das agremiações, pelos corações dos foliões, pela esperança de quem jamais se entregou. Para quem pensou que ele tinha batido a caçuleta, saiba que quatorze escolas de samba do grupo especial estarão nos brindando com toda sua beleza e exuberância, haverá lágrima, haverá riso, haverá festa! O samba venceu mais uma vez! Agonizou! Morreu! Renasceu! Contra a vontade de muitos, estamos de volta e desta vez para nunca mais sair de cena!
“O samba é cultura, alegria e um dia, quem diria, já teve até cor. Hoje é um arco-íris de tons, melodias, acordes de amor!” Vivas à vida! Vivas ao carnaval Gonçalense!
Estamos felizes novamente!
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Paulinho Freitas é compositor, sambista e escritor.








































































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