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Aguardando você voltar por aquela porta

Por D.Freitas


Gerada por IA
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Escrevo diretamente a você para dizer que é a pior coisa que podia ter acontecido na minha vida. Uma calamidade tal qual o meteoro que dizimou os dinossauros. Odeio me lembrar de cada segundo que passou ao meu lado e me odeio por te deixar entrar pela porta da minha casa, do meu quarto e da minha vida. Lembro do som da campainha como um presságio e do barulho dos seus passos na escada como uma profecia. Lembro do cheiro que exalava de você assim que abri a porta, inflamável, como gás de cozinha vazando esperando apenas o momento da luz acesa para a combustão. Em contrapartida, pegamos fogo ao apagar das luzes, não totalmente. Estávamos à meia luz quando retirou o primeiro pedaço de mim. Pedaços. Muitos. O suficiente para cobrir parte do seu colo e escorrer pelos seus lábios. Maldita seja a luz da lua que pintou seu rosto nesse momento. Maldito seja meu talento na cozinha que ganhou seu estômago à luz do Sol da manhã. Que péssima decisão foi a sua em escolher ficar. 


Éramos pra ser só o desabafo. Eu até te paguei por isso... e acho que esse era o muro que separava a nossa relação entre sexo e algo a mais. A queda histórica dessa construção, tão significativa quanto a queda do muro de Berlim, foi marcada pela chegada da nossa primeira tutelada: Amélie. Uma felina que parecia ter seu corte de cabelo. Ainda hoje observo a velha gata andando pela casa e seus olhos vagam como os meus aguardando que saia do seu banho demorado de sábado. Nossas orelhas ainda se atentam aos barulhos na escada procurando a acústica do seu salto e toda entrega de comida nos ilude que poderia ser você na campainha.


-Poderia ser você, ainda pode ser você... Ainda estou no mesmo lugar que você deixou. Da mesma forma que você deixou e ainda sem entender porque você me deixou.


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Davi Freitas (D.Freitas) nasceu em São Gonçalo, cria da cultura gonçalense, desde sempre conviveu com músicos, poetas e escritores. autodidata, aprendeu violão e bateria sozinho e junto com o irmão Lucas Freitas fez algumas apresentações até ter, por motivos profissionais, que mudar de estado. Como escritor, participou, pela Editora Apologia Brasil da Antologia em Tempos Pandêmicos e inicia agora sua trajetória no mundo das crônicas e contos.

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