top of page

Depois dos escândalos, PL volta às portas do Palácio Guanabara

há 4 horas
3 min de leitura

Douglas Ruas recebe 4,27 milhões de votos e termina primeiro turno com 49,27%; resultado ocorre após governo Castro e Alerj atravessarem investigações envolvendo corrupção, Banco Master e suspeitas de relações com o crime organizado


Douglas e Cláudio Castro/Foto: divulgação
Douglas e Cláudio Castro/Foto: divulgação


O resultado das urnas produziu uma aparente contradição na política fluminense. Depois de seis anos de um governo comandado pelo PL e de uma sequência de investigações que alcançaram o Executivo e a Assembleia Legislativa, Douglas Ruas colocou o partido novamente às portas do Palácio Guanabara.


O candidato do PL recebeu 4.271.199 votos, 49,27% dos válidos, contra 3.706.984 de Eduardo Paes (PSD), 42,76%. A diferença foi de 564 mil votos.


Douglas não surgiu de fora desse grupo político. Foi secretário estadual das Cidades no governo Cláudio Castro, pasta que comandou a partir de setembro de 2023. Na campanha, porém, procurou se afastar politicamente de Castro e do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, ao mesmo tempo em que reforçou sua ligação com o bolsonarismo.


O distanciamento ocorreu depois de uma sucessão de episódios que atingiram o grupo que comandou o estado.


Em maio, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador Cláudio Castro, autorizado pelo STF. A investigação apura suspeitas relacionadas à aplicação de recursos da RioPrevidência em produtos financeiros do Banco Master. Castro é investigado no caso; isso não equivale a condenação.

Na Alerj, a crise foi ainda mais longe.


O ex-deputado TH Joias tornou-se réu na Justiça Federal sob acusação de envolvimento com o Comando Vermelho. A investigação aponta suspeitas relacionadas a tráfico de armas e drogas e corrupção.


Rodrigo Bacellar, então uma das figuras mais poderosas da política estadual, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de ter vazado informações sigilosas da investigação que atingiu TH Joias. Voltou a ser preso em março e, em julho, apareceu entre os alvos de outra operação da PF, desta vez relacionada à suspeita de lavagem de dinheiro do jogo do bicho.


A própria Alerj chegou a votar pela soltura de Bacellar em dezembro de 2025: foram 42 votos favoráveis e 21 contrários à manutenção da prisão.


Ruptura ou continuidade?


Douglas tentou construir sua candidatura justamente na fronteira entre esses dois discursos.

Quando questionado sobre o governo Castro, reconheceu a necessidade de corrigir o aumento das despesas estaduais, mas rejeitou assumir responsabilidade pelo conjunto da administração. Disse que, como secretário das Cidades, sua missão havia sido realizar investimentos nos municípios e afirmou ter executado mais de R$ 2 bilhões em 73 cidades.


Há, portanto, uma tensão que o resultado do primeiro turno não resolve.


Douglas apresentou-se como renovação, mas foi secretário de Castro. Tornou-se presidente da Alerj depois da crise que atingiu Bacellar e construiu sua candidatura dentro do mesmo PL que comandou o governo estadual.


As urnas mostram que esse passado não impediu 4,27 milhões de eleitores de votar novamente no partido. Douglas ficou a apenas 0,73 ponto percentual da maioria absoluta dos votos válidos.


E pode haver uma consequência ainda maior. Os 274.411 votos de Anthony Garotinho, equivalentes a 3,17%, estão sendo considerados válidos provisoriamente enquanto seu recurso tramita. Se forem anulados definitivamente, a Justiça Eleitoral terá de recalcular o resultado — cenário que pode levar Douglas acima dos 50% dos votos válidos.


O primeiro turno não permite concluir por que cada eleitor escolheu Douglas. Pode ter pesado o bolsonarismo, a rejeição a Paes e ao antipetismo a ele vinculado, a segurança pública, a força das máquinas municipais ou uma avaliação positiva do próprio candidato.


Permite afirmar algo mais simples: os escândalos que atravessaram o último ciclo político do Rio não foram suficientes para produzir uma rejeição eleitoral ao PL. No domingo, quase metade dos votos válidos voltou para o partido que governou o estado nos últimos seis anos.


Nos siga no Instagram AQUI e BlueSky AQUI.

Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.

Comentários


POLÍTICA

KOTIDIANO

CULTURA

TENDÊNCIAS
& DEBATES

telegram cor.png
bottom of page