Esquerda gonçalense dispersa votos e deixa Dimas, Josemar e Isaac fora da Câmara e Alerj
Dimas perdeu força em São Gonçalo, Josemar cresceu e Isaac concentrou quase 80% dos votos na cidade; Nelsinho Ruas e João Pires garantiram as duas cadeiras gonçalenses na Alerj

A esquerda de São Gonçalo saiu das urnas sem conseguir eleger seus três principais nomes locais para o Legislativo. Dimas Gadelha (PT) e Professor Josemar (PSOL), que buscavam a reeleição, perderam os mandatos. Isaac Ricalde (PCdoB), candidato à Alerj, também ficou na suplência.
Dimas recebeu 23.324 votos em São Gonçalo (45.520 no estado). Em 2022, quando se elegeu deputado federal, foram 30.719 na cidade (41.238 no estado). Perdeu 7.395 votos em seu principal reduto, queda de 24,1%.
Josemar fez o caminho inverso. Passou de 19.323 votos em São Gonçalo (28.409 no estado) em 2022 para 21.449 (41.730) agora. Cresceu 11% na cidade e 46,9% no estado. Mesmo assim, perdeu a cadeira.
Isaac recebeu 12.348 votos em São Gonçalo (15.522 no estado). Quase 80% de toda a sua votação saiu das urnas gonçalenses.
Josemar e Isaac fizeram campanhas direcionadas também à identidade política do eleitor. Os dois buscaram explicitamente o voto da esquerda. Esse eleitorado, porém, continuou dividido entre candidatos locais e nomes com bases políticas em outras cidades.
Voto de esquerda fora da cidade
Na eleição federal, essa dispersão já existia em 2022. Washington Quaquá (PT), cuja carreira política foi construída em Maricá, recebeu 21.369 votos em São Gonçalo. Talíria Petrone (PSOL), outros 12.237.
Agora, Washington não estava na disputa. Seu filho, Diego Quaquá, recebeu 10.286 votos gonçalenses. Talíria teve 9.449; Rick Azevedo (PSOL), 8.877; Fabiano Horta (PT), 8.242; e Anielle Franco (PT), 6.932.
Apenas esses cinco candidatos receberam 43.786 votos em São Gonçalo, quase o total alcançado por Dimas em todo o estado.
Na disputa estadual ocorreu algo semelhante. Renato Machado (PT) passou de 9.787 votos gonçalenses em 2022 para 12.529 agora. Verônica Lima (PT) subiu de 7.812 para 10.630. Allyson Elias (PT) recebeu outros 9.885.
Os nomes mudaram, mas uma parcela expressiva do voto progressista continuou indo para candidaturas sem base principal em São Gonçalo.
Nelsinho concentra; João busca votos fora
Do outro lado, a base governista também chegou às urnas com várias candidaturas. Nelsinho Ruas (PL), filho do prefeito Capitão Nelson, recebeu 57.733 votos em São Gonçalo (70.552 no estado) e foi eleito deputado estadual. Nada menos que 81,8% de sua votação veio da cidade.
Bruno Porto (PL) recebeu 22.801 votos em São Gonçalo (27.784 no estado); Ricardo Pericar (PL), 18.615 na cidade; e Lecinho (Republicanos), 14.266 (16.473).
Para deputado federal, Altineu Côrtes (PL), aliado da administração municipal, liderou a votação em São Gonçalo com 75.044 votos (175.161 no estado). Alexandre Gomes (Avante) recebeu outros 10.890 na cidade.
Fora da base do prefeito, outro gonçalense conseguiu chegar à Alerj. João Pires (PSD), de centro-direita, recebeu 10.329 votos em São Gonçalo (90.195 no estado) e foi eleito.
Os números de João revelam outro problema para a esquerda local. Josemar teve mais que o dobro de sua votação em São Gonçalo: 21.449 contra 10.329. No estado, a relação se inverteu: 90.195 para João contra 41.730 de Josemar.
Isaac ficou ainda mais dependente da cidade: recebeu somente 3.174 de seus 15.522 votos fora de São Gonçalo.
Nelsinho chegou à Alerj pela concentração de votos em seu reduto. João Pires, pela expansão para fora dele. Foram dois caminhos diferentes que produziram duas cadeiras para candidatos gonçalenses.
Dimas, Josemar e Isaac não conseguiram reproduzir nenhum dos dois em escala suficiente para manter a esquerda local no Legislativo estadual e federal.
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