Como a Lava Jato e as privatizações de Bolsonaro afastaram o Brasil da autossuficiência em diesel
- Jornal Daki

- 5 de abr.
- 2 min de leitura
Com a guerra no Oriente Médio, a dependência externa do país voltou a pressionar os preços; entenda o que aconteceu com as refinarias

A escalada dos preços dos combustíveis após o início da guerra no Oriente Médio reavivou o debate sobre a dependência brasileira do diesel importado. Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Na última década, no entanto, o país esteve próximo da autossuficiência, segundo dados da ANP.
Durante os governos petistas, a autossuficiência foi um objetivo estratégico. Entre 2005 e 2015, foram construídas a Refinaria do Nordeste (Rnest), em Pernambuco, e projetada a Refinaria Premium, no Maranhão. A Rnest, inaugurada em 2014, tinha capacidade para processar 230 mil barris por dia, mas seu custo saltou de R$ 8,6 bilhões para mais de R$ 45 bilhões.
Com a Operação Lava Jato, a Petrobras entrou em crise de governança e endividamento. Em 2016, o governo Temer anunciou um plano de desinvestimento de US$ 21 bilhões. Já sob Bolsonaro, em 2019, a Petrobras colocou oito refinarias à venda, incluindo a Rnest, adquirida pelo fundo árabe Mubadala. A Refinaria Premium foi abandonada. A estratégia priorizou o pagamento de dividendos a acionistas e a paridade de preços com o mercado internacional.
A Rnest, rebatizada de Abreu e Lima, foi modernizada, mas o controle de preços e a logística ficaram atrelados à política internacional. Sem a capacidade plena de refino, o país voltou a depender do diesel importado.
Em março de 2026, com o ataque de EUA e Israel ao Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, o preço do diesel disparou. O governo Lula zerou os impostos federais e negociou com governadores a redução do ICMS. Para especialistas, a perda da autossuficiência foi uma decisão política: o governo Bolsonaro optou por desmontar o parque de refino nacional para agradar ao mercado financeiro, enquanto a Lava Jato criou o ambiente de criminalização da engenharia nacional.
A falta de soberania energética expõe o Brasil a choques externos, pressionando a inflação e o transporte de cargas.
"Voltamos a uma situação de vulnerabilidade que julgávamos ter superado", resume uma pesquisadora da UFRJ. "O preço que pagamos hoje é resultado de opções estratégicas desastrosas."
Com informações de Brasil de Fato.
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