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O bairro Santa Catarina e a origem devota, por Erick Bernardes


Foram tantas as vezes que o pai lhe contou aquela piada insossa. Ele não deveria falar mais nisso, coisa de menino inocente, cresceu, mas guardou no cofre da memória a intimidade construída desde cedo. Assim é mole, né, muito fácil enganar criança que nem atingiu seus nove anos de idade quando morava no bairro Santa Catarina.


Pois é, apesar de pequeno, Guiguinho mostrava curiosidade além do normal para quem ainda não havia completado a primeira década de vida.

— Papai, por que você diz que é mineiro?

A pergunta do moleque exigia explicação lógica, então Homero justificou o apelido pelo fato de ter trabalhado desde a juventude na fábrica de refrigerantes Mineirinho. Uma pegadinha, obviamente, um tipo de brincadeira para tirar sarro do filho perguntador. O fato de ter sido funcionário na Indústria de Refrigerantes Mineirinho motivou o apelido de mineiro ao papai brincalhão? Óbvio que era zoação, caro leitor. Satirização de gonçalense sacana, claro! Homero não nasceu em Minas Gerais. É gonçalense da gema, um desses típicos moradores locais.

Bem, há realmente uma história sobre Santa Catarina que nos cabe aqui certo respeito. Depois de crescido, Guiguinho ouviu do pai a narrativa: “Contam que São Gonçalo era composta por fazendas imensas cujos arredores abraçavam áreas a perder de vistas. A fazenda do Engenho Pequeno era uma delas e desmembraram tão logo a economia deu suas sacodidas nos bolsos dos fazendeiros. Comprando a parte das terras que constituiria o bairro em ascensão, a família Pinheiro Baptista, aquela mesmo cujo rebento Paulino viria dar nome ao colégio lá no Barro Vermelho, apressou-se a construir a capela em homenagem à santa de devoção. Nasceu assim a capela dedicada à Santa Catarina de Alexandria, cuja família dos Pinheiros Baptistas fora muitíssimo crente”.

Após escutar a narrativa do pai, o moleque Guiguinho refletiu. “Caramba, como mudou”. E será que mudou mesmo, caros leitores? Existe hoje o Fórum (novo) municipal e, mais à frente, o tradicional colégio Mericia Quaresma, sem contar o fluxo de carros e de gente a crescer nesse bairro de certa forma histórico. Entretanto, poucos registros guardam a memória do lugar. Fica então o dito, e é o máximo que se sabe sobre o bairro Santa Catarina.


Erick Bernardes é escritor e mestre em Estudos Literários.


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