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São Gonçalo e seus ícones literários: Pacheco da Silva Júnior

São Gonçalo e seus ícones literários


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(Séc. XIX)

PACHECO DA SILVA JÚNIOR

Filólogo, Gramático e Professor



Embora se considerasse um gonçalense de corpo e alma, Manuel Pacheco da Silva Júnior nasceu no Rio de Janeiro em 1842 e faleceu em Niterói, em 1899. Seu pai foi médico e Reitor do Colégio Pedro II. Este nosso personagem ícone das artes aprendeu com o patriarca os primeiros rudimentos da gramática quando então se tornou, durante um único ano, aluno da Escola Politécnica.


Pacheco Júnior mudou-se para a Europa por questões de saúde e conheceu as vertentes da linguística do contexto europeu. Chegou até a aprender a língua provençal, idioma aliás dos mais apaixonantes aos artistas afeitos às trovas. Exemplo do refinadíssimo trabalho de Pacheco Jr. exercido para deleite dos leitores da época, pode agora ser lido por você, na bela tradução do poema da região da Provença:


CANÇÃO TRADUZIDA DO PROVENÇAL

(Sem título)

Por Pacheco Jr.


I

Melhor deve ser

Neste aventurar

Ver e não guardar

Que guardar e não ver

Muito bom seria

Mas quem poderia?


II

Praz-me o cavaleiro francês

E a dama catalês

O horror do Genovês

E a corte castelã

O cantor provençalesco

E a dança trevisana,

E o corpo aragonês

E a pérola juliana

A mão e rosto do inglês

E o donzel de Toscana.


III

Outrossim me praz o bom senhor

Quando é o primeiro na luta

Com cavaleiro armado sem temor;

Que assim faz os seus alentar

Com valente vassalagem.

(*De autor desconhecido)


Sabe-se que desde jovem exerceu o magistério, chegando inclusive, a ser professor de inglês do Liceu de Artes e Ofícios e, devido a sua desenvoltura pelo campo da linguística, ficou reconhecido como filólogo. De acordo com Fávero e Molina:


Em 1879, (Pacheco Júnior) prestou concurso no Colégio de Pedro II, tendo sido professor catedrático de Português e História Literária. Dentre suas produções, destacam-se: Noções de Gramática Portuguesa, Noções de Semântica, Estudos de Língua Vernácula, Gramática Histórica da Língua Portuguesa, Noções de Análise Gramatical, Fonética, Etimológica e Sintática, Estudos Filológicos de João Ribeiro. Colaborou ainda em diversos jornais e revistas, dentre os quais, a Revista Brasileira (2007, p. 30).


Vale ressaltar que sua família, descendente dos Barões de Pachecos, teve influência nas terras gonçalenses, a ponto de legar seus sobrenomes a regiões de dentro e fora do município. De acordo com Jorge Nunes, “na década de 1890 fixou residência no Mutondo e (...) foi vereador em 14 de outubro de 1894” (2016, p. 102). Sabe-se que Pacheco Júnior é Patrono da cadeira n. 16 da Academia Brasileira de Filologia. Há uma rua com seu nome, Pacheco Júnior, no bairro Porto da Madama, região histórica de São Gonçalo.


Fontes:


http://www.revistas.usp.br/flp/article/download/59771/62880/.


Jorge Cesar Pereira Nunes. Dirigentes Gonçalenses: perfis (1890-2016). 2 edição. Ed. Nitpress, Niterói, RJ, 2016.


Fonte: http://memoria.bn.br


(Foto da primeira página de um dos números do Jornal A Manhã, veiculado durante o governo de Getúlio Vargas. A estudiosa Ângela de Castro analisou toda a coleção)



Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.




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