Viola de tantos eus
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Viola de tantos eus

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Por Paulinho Freitas


Arte: Jornal Daki com IA
Arte: Jornal Daki com IA

A música entrou cedo na minha vida. Minha avó gostava das cantorias de Clementina e as vezes arriscava uns passinhos de jongo na cozinha. Eu não entendia direito aquelas melodias, mas gostava. Meu pai perturbava o silêncio dominical, tocando um enorme reco-reco. Fora do ritmo, mas pelo menos o repertório era bom. Pela minha pouca idade e por querer ser igual aos diferentes, ouvia rock e um MPB mais rebuscado.


Samba era tratado, como até há bem pouco tempo atrás, como arte inferior. Depois que virou moda todo mundo meteu um pezinho na senzala. Aliás, depois que samba e macumba passaram a dar Ibope..., mas isso é outra história. 


Continuando, certa noite, uma daquelas noites em que a tristeza nos abraça tão forte que parece sufocar, ouvia eu uma rádio AM e tocaram, já quase amanhecendo a música Saga da Amazônia, de Vital Farias.


Esta música iria ficar para sempre marcada em minha vida. Depois dela enveredei por tantos caminhos musicais que nem sei onde vou e se, vou parar. 


Com Aluçan, um dos maiores artistas de nossa cidade, aprendi que para voar, só  preciso cantar sete cantigas, que o mesmo Vital Farias de Saga da Amazônia se encarregou de compor. Aprendi com Katia de França que a vida, nada mais é que uma mesa de comida. Aluçan era mestre na arte de cantar e tocar, um nome que não pode ser esquecido. 


Renan pedia silêncio em suas apresentações João Gilbertianas e Namor Junior fazia uma releitura dos clássicos da bossa nova, de causar admiração aos olhos e ouvidos dos grandes mestres daquele seguimento.


Aliás, ele e uma turma grande de amigos, marcaram época nas rodas de viola da antiga “Vila”, no Colégio São Gonçalo e na praça do colégio Clélia Nanci. 

Quantos amores começaram naquelas tardes e permanecem até hoje.  Quanto amor não declarado adormeceu...


No caminho deles vieram os também brilhantes Jorge Soares, Sérgio Quental, Alexandre Fininho, Marcelo Bossa, Marlon Borges, Luciene Alves, Débora Ujeda, Carlinhos Melodia e outros que ainda estão por aí inspirando novos talentos, que o digam Jorginho Cardoso e DJ Chavão que beberam desta água. Não posso deixar de falar das sete cordas do samba e da seresta que tão bem fizeram às nossas noites, dedilhadas pelos mestres Índio e Vanderlei Silva. 


Aquelas tardes de viola na casa do querido Ricardo Ribeiro, com Juninho do Porto Velho, Alex e Sidnei Peixinho há muito ficaram para traz, mas aquele tempo não sai de mim. A viola me transforma em muitos, me acompanha nessa estrada seja dia ou madrugada. Viola de amigos e amadas, viola de tantos eus! 


Ê saudade!!!!!! 


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Paulinho Freitas é compositor, sambista e escritor.


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