Entre a espada e a feijoada
- Jornal Daki
- há 3 minutos
- 2 min de leitura
Por Mira Pimentel

Hoje é dia de São Jorge.E o Rio acorda com fé, com festa… e com panela no fogo.
Tem samba no ar, tem gente de branco, tem promessa sendo renovada e, claro, tem feijoada — farta, quente, compartilhada como abraço coletivo. O carioca sabe celebrar como poucos. Celebra com o corpo inteiro, com riso largo, com fé que dança.
Mas hoje… eu quis ir um pouquinho além do prato.
Porque São Jorge não é só o santo do cavalo e da espada. Ele é símbolo de coragem diante do medo, de firmeza diante da injustiça, de alguém que não abaixou a cabeça diante de um sistema que exigia submissão.
E aqui, entre um gole e outro, entre uma gargalhada e outra… vale perguntar: o que estamos celebrando de verdade?
A feijoada que hoje reúne amigos também carrega uma história. Uma memória que não nasceu da abundância, mas da dor. Dos restos, da resistência, da criatividade de um povo que transformou escassez em alimento — e sofrimento em sobrevivência.
Celebrar sem saber é leve…, mas saber e ainda assim celebrar — isso é consciência.
Somos, muitas vezes, ensinados a repetir gestos, tradições, rituais… sem entrar neles. Sem atravessá-los. Como se a vida fosse uma sequência de datas prontas, e não convites à reflexão.
E talvez hoje seja o dia de fazer diferente. Que a espada de São Jorge não seja símbolo de guerra, mas de corte. Corte da ignorância. Corte da repetição vazia.Corte das amarras invisíveis que nos fazem viver no automático.
Que ela nos ajude a abrir caminho para uma fé mais consciente — não aquela que apenas pede, mas aquela que entende, que questiona, que se posiciona.
E que, ao redor da mesa, entre amigos e família, a gente possa também partilhar algo mais profundo: a memória, o respeito, o reconhecimento de tudo que veio antes de nós. Hoje é festa, sim. E que bom que é.
Mas que seja uma festa que desperta.Que une não só copos, mas consciências.Que fortaleça não só tradições, mas ideais.
Porque celebrar também pode ser um ato de coragem.
E talvez seja exatamente isso que São Jorge esperaria de nós.
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Mira Pimentel é cronista.












































