Minha época é agora
- Jornal Daki
- há 7 minutos
- 3 min de leitura
Por Rofa Rogério Araújo

Dia desses, assistindo vídeos que surgem nas redes sociais, uma mãe perguntou a filha se determinada música era de sua época. A mãe vira para a filha e diz: “Como assim, filha. Essa música é de minha época que é agora!”
Essa declaração me fez pensar no quanto, às vezes, parecemos presos a um determinado período de nossa vida como se fizesse parte de um passado que não volta mais ou está distante do presente. Só que nem sempre é assim que funciona na prática ou pelo menos não deveria.
Muito disso acontece na atualidade devido a algo chamado “etarismo”. O seu significado é o preconceito, estereótipo e discriminação contra pessoas com base na idade, afetando principalmente idosos, mas também jovens. Manifesta-se no mercado de trabalho, ambiente familiar e de saúde, desvalorizando capacidades e limitando oportunidades. Combater o etarismo envolve desconstruir a ideia de que envelhecer é sinônimo de incapacidade, retardando a experiência seja por excesso ou pela por sua falta.
Isso está tão presente que se diz que os mais velhos não sabem lidar com a atual tecnologia e os obrigam a se atualizar de tal forma que não os deixam nem aprender, já que computadores, caixa eletrônico e atendimento presencial praticamente deixaram de existir não se importando se alguém não sabe lidar ou terá dificuldade com isso.
É uma discriminação em tal nível que chega a ficar chato. Todos estão sendo tratados como excluídos se não estão na vibe (essa é uma gíria derivada do inglês vibração, significando a atmosfera, energia ou sintonia de um lugar, pessoa ou situação). Até nos termos que mudam com o tempo é um problema de entendimento.
Frases do tipo: “Isso não é roupa para a sua idade.”, “Essa idade você já não tem mais tempo para aprender isso.” e “Você não acha que é velho demais para [fazer tal coisa]?”. É algo terrível e constrangedor que certamente deveria ser evitado.
E piores são quando se diz algo disfarçado de elogio, só que não são: “Você nem parece velho.”, “Para sua idade, você está muito bem!”, Nossa, que memória boa, nem parece que tem [X] anos!” ou “Você é muito ativo para a sua idade.”. Parece, mas não é bem assim o que se diz.
E quando as frases parecem mais infantilizar? Como, por exemplo, “Vou falar mais devagar para você entender...”, “Não se preocupe com isso, deixa que eu resolvo por você.” ou “Tão fofinho, parece um vovô/vovó.”. É tratar àqueles que tem mais idade como crianças, mesmo que pelo andar da vida podem até ter atitudes um tanto quando de crianças, mas nem por isso devem ser tratados como tal.
E as mesmas atitudes dos mais jovens hoje podem mudar amanhã quando terá idade mais avançada e pode sofrer da mesma forma o preconceito do etarismo. “O mundo gira”, com diria uma famosa frase popular, bem verdadeira.
Então os que que hoje discriminam, podem ser discriminados amanhã e assim vai. Tudo muda de uma época para outra. Parece que muito esquecem disso.
Por isso, mais do que nunca, é preciso reconhecer que o melhor tempo que vivemos é o atual. Assim, a minha e a sua época é agora!
Nos siga no BlueSky AQUI.
Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.
Entre no nosso grupo do Telegram AQUI.
Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.

Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.











































