O nome do amor
- Jornal Daki

- há 57 minutos
- 3 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

Me lembrei ontem, ao ver a novela, de quem no início dos anos dois mil, num sábado de ensaio na quadra do GRESU Porto da Pedra, já quase no final da noite, vi uma menina, recém saída da adolescência, sambando de se acabar à frente da bateria. Ela só parou depois do último apito do mestre, quando o sol já vinha avisar ao povo que já era hora de voltar pra casa.
Uns anos depois ela era a toda poderosa rainha de bateria do Acadêmicos do Salgueiro, uma mulher pequena no tamanho, mas gigante no talento. Ela se especializou na arte de interpretar e sempre está em evidência fora do carnaval em novelas, peças teatrais, comerciais e em todo tipo de trabalho que envolva arte.
Lembrei também que em um relacionamento, seu companheiro foi privado da liberdade e ela, a rainha, como qualquer mortal, era mostrada pela imprensa na fila do presídio, sem maquiagem, com bolsas de mantimentos e produtos pessoais para entregar ao companheiro, sem nenhuma vaidade ou vergonha, passando por todo o constrangimento que as outras mulheres passavam, por amor, sempre o amor na frente.
Naquela fila várias outras mulheres, mães, irmãs, namoradas, esposas, amigas, lá estavam para levar um alento, um carinho, um pouco de dignidade àqueles homens, nem todos mereciam aquele sacrifício todo, mas elas lá estavam toda semana, perdendo o domingo na fila, muitas vezes entregando seus corpos para satisfazer os desejos deles, de forma vergonhosa, embaixo de mesas ou atrás de lençóis que pouca privacidade oferecia.
As mães e irmãs, muitas, saíam chorando pelos maus tratos sofridos, pela falta de respeito e reconhecimento pelo carinho e amor que aquelas mulheres lhes davam. O que leva um ser humano a passar todo o tipo de humilhação e continuar tentando? _ Amor, só ele é capaz de levar um ser humano a descer tanto.
Depois de tanto sacrifício e sofrimento esta rainha, quando o companheiro se viu livre das grades, foi trocada por outra, a deixando humilhada e ferida. Não é um privilégio dela este tipo de tratamento, infelizmente, a maioria das mulheres, companheiras de homens privados de sua liberdade passam por isso.
O tempo, senhor de todos os sortilégios e médico para todas as dores sentimentais, passou e ela se reconstruiu, voltou a brilhar forte como a estrela da grandeza que é. Seu brilho pode até ser encoberto por alguma nuvem, mas jamais apagado por nenhuma força.
Ela é tão forte que consegue contracenar com aquele que um dia lhe deixou sem chão, mas ela provou que mora no céu e lá está para ser admirada. Mostrou talento, dignidade e competência. Parece estar despida de qualquer magoa ou rancor. Acho que é porque é mulher e este é o nome do amor.
Por isso, quando o criador fez o ser humano escolheu o amor para parir e para proteger e botou o nome dele de mulher.
Parabéns a todas vocês que vivem amor, respiram amor, distribuem amor, protegem e cuidam mesmo sem ter parido.
Feliz dia das Mães!!!!!
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Paulinho Freitas é compositor, sambista e escritor.








































































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