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Bolsonaristas se mudam para o Paraguai em busca de 'paraíso liberal' e quebram a cara

Impostos baixos atraem, mas serviços públicos precários e informalidade frustram planos. Alta taxa de desistência indica realidade diferente da prometida


Fila com brasileiros vira a madrugada em Ciudad del Este, no Paraguai. Foto: Fernando Otto/BBC Brasil
Fila com brasileiros vira a madrugada em Ciudad del Este, no Paraguai. Foto: Fernando Otto/BBC Brasil

Impulsionados por discursos que classificam o Brasil como uma "ditadura" e por vídeos nas redes sociais que vendem o Paraguai como um "paraíso liberal" de impostos baixos e menos regulações, um número crescente de brasileiros, muitos deles alinhados ao bolsonarismo, tem cruzado a fronteira em busca de uma nova vida. As informações são da BBC Brasil.


Apenas em 2025, o país concedeu 40,6 mil autorizações de residência, sendo mais da metade para brasileiros. No entanto, a empolgação inicial parece estar se transformando em frustração, e a alta taxa de desistência – poucos seguem até a residência permanente – já indica que a realidade está longe das promessas.


A narrativa sedutora omite um fator crucial: a contrapartida de uma carga tributária baixa é uma capacidade estatal igualmente reduzida. Serviços públicos essenciais, como saúde e educação, são precários e com alcance limitado.


O sistema de saúde paraguaio sofre com falta de leitos, medicamentos e especialistas, forçando muitos brasileiros a manter planos de saúde no Brasil ou a voltar para tratamentos. O mercado de trabalho é fortemente informal, com salários baixos e pouca proteção social, o que dificulta a vida de quem não tem uma renda remota ou um negócio próprio estruturado.


O descompasso entre o discurso anticomunista e a realidade é evidente. Muitos brasileiros acabam dependendo de programas sociais brasileiros, como aposentadorias do INSS ou o Bolsa Família, para se sustentar, o que escancara uma contradição prática: rejeitam o estado brasileiro mas ainda precisam dele.


A adaptação cultural e burocrática também é subestimada. A obtenção de documentos, a regularização de empresas e a simples convivência com uma cultura diferente geram atritos e desgastes que as redes sociais não mostram. O resultado é uma frustração crescente. Muitos admitem terem caído em uma "propaganda enganosa" e já planejam o retorno ao Brasil.


A reportagem conclui que, embora o Paraguai possa oferecer vantagens reais para quem tem um projeto de vida consistente e recursos financeiros, transformar a mudança em um ato de protesto político ou numa fuga emocional da realidade brasileira raramente dá certo.


O "paraíso liberal" acaba sendo, para muitos, um novo lugar com velhos problemas, e a "pátria amada" (Brasil) passa a ser vista com outros olhos.


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