A fé não é arma política
- Jornal Daki
- há 8 minutos
- 3 min de leitura
Por Rofa Rogério Araújo

Algo que tem ocorrido no mundo e especialmente no Brasil é a utilização da fé como arma e ferramenta política, o que algo extremamente crítico por instrumentalizar o sagrado para obter poder, dividir a sociedade e ódio, como uma dose severa de manipulação.
A visão majoritária entre os críticos é que a religião deve focar no amor, cuidado e justiça social, sem se tornar um palanque eleitoral. Porque quando isso ocorre há desvio de sua mais essencial finalidade e não para o lado do bem, mas do mal.
Quando há uma instrumentalização da fé, existe uma partidarização excessiva do que divino, restringindo a atuação religiosa e transformando-a em “armas” ou estratégias de poder. O que há de muitos malefícios nisso.
Alguns líderes religiosos e intelectuais argumentam que o uso de símbolos sagrados para atacar opositores representa a essência da mensagem religiosa quase sempre deturpada para fins pessoais ou coletivos de um grupo religioso e não existe necessariamente na essência daqueles dogmas intrínsecos a determinada expressão da religião pregada.
Durante muito tempo se lutou para que houvesse a separação Igreja-Estado e qual a razão de, hoje em dia, alguém defender que isso meu e que passe a um Governo pertencente a determinado cunho religioso? O Estado representado por um Governo constituído não deve privilegiar nenhuma religião, garantindo a liberdade individual e protegendo o sagrado da manipulação política.
Algo bem sério que tem ocorrido é o uso de púlpitos como condicionamento de práticas religiosas a ideologias políticas seja para que lado for e que é apontada como uma quebra teológica séria. Não se pode utilizar-se da fé alheia para ludibriar os fiéis que não estão em uma instituição religiosa para esse fim, mas parra buscar o sagrado.
A fé, em sua essência, é descrita como um espaço de amor e comunidade, não um mecanismo para amaldiçoar ou dividir seus próprios membros como se fossem aceitos ou não pelas suas posições a favor do que o líder defende ou não.
Existem até aberrações que pregam determinada heresias a ponto de excluir quem não defende determinado lado por achar incompatível com a fé, mas isso não tem nenhuma base religiosa, por exemplo, a Bíblia. As Escrituras Sagradas não condenam ninguém quem tem uma ideia, seja para o lado da direita ou da esquerda, até porque se for levar em conta o que os políticos fazem, todos estão para lá de errados.
Quando há uma utilização da fé como uma arma política, a democracia corre risco. Um espaço religioso não deve ser usado para manipular ideias dos líderes como se esses fossem os “ungidos pelo divino” e não erram nunca. Se fosse assim não teríamos tantos casos entre eles de pedofilia, traições familiares e até mesmo corrupção.
Usar e abusar do nome sagrado, de Deus, para conseguir o que se deseja é algo totalmente errado e condenado por toda a Bíblia e até outras expressões religiosas. Porque o que pretende é ter um alívio que vai muito além da limitação humana, mas que chega ao transcendental e isso não pode incluir determinadas posições políticas e ideológicas que são menores se comparado com o que vem do Sagrado, dos altos céus.
É incompatível para um líder religioso usar a fé que deveria acolher as pessoas para manipular e querer fazer a sua vontade e ainda por cima querer demonstrar que o divino concorda com isso e unge alguém por ser o que ele acha e não o que orienta, segundo a Bíblia.
A fé deve ser um espaço de espiritualidade, consolo e amor, e não um palanque. Misturar fé com política pode prejudicar a liberdade de consciência e o debate democrático e virar, na verdade, uma arma contra si mesmo e não a favor de uma país ou do bem coletivo.
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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.











































