Que pena!
- Jornal Daki
- há 2 horas
- 3 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

Fui criado com pai, mãe, avó e irmã. Eu e mais dois irmãos. Meu pai era bem bronco, falava alto, grosso que só ele e xingava muitos palavrões. Eu tinha medo dele. Próximo dos quatorze anos, idade que naquela época se tirava carteira de trabalho (tenho a minha até hoje), também era costume os pais levarem seus rebentos para conhecer as “coisas da vida”, visitar as “primas”, ou grosseiramente falando, ir à zona, para conhecer os segredos do sexo e “aprender a ser homem”.
Minha mãe e minha avó não deixaram que isso acontecesse comigo. Eu tinha medo do meu pai, mas a cara de decepção de minha avó e minha mãe, era pior que mil chibatadas no lombo. Elas conversavam, explicavam me pediam para respeitar as filhas do alheio, mesmo que a boca do povo as pusessem entre as piores criaturas. Não importa como o mundo te trata, o importante é como você trata o mundo. A doença nem chega perto do corpo medicado preventivamente.
Quanto a meu pai, quando começamos a sair e paquerar, ele era o primeiro a gritar:
_ Não quero saber de desrespeito com a filha de ninguém. Se vier queixa aqui na porta já sabe!
Quem se atrevia a desrespeitar? Duvido!
Fomos crescendo, cada um do seu jeito. Me casei, tenho dois filhos, dois gentlemans. Não que eu seja um exemplo de pai, mas eles tiveram muitas tias e primas, além de darem muita sorte nas amizades que fizeram. Os dois nos dão orgulho como homens. Eles não são os únicos. Tenho sobrinhos, amigos, conhecidos e também, com certeza, muitos desconhecidos do mesmo naipe, mas que, infelizmente, na hora do julgamento, são colocados no mesmo balaio.
Quando vejo as notícias de feminicídio nos meios de comunicação, as de abusos infantil as de estupro, os assédios tanto moral quanto sexual, me dá uma vergonha tão grande, ser homem se tornou uma maneira complicada de se viver. A gente se transformou num arremedo de gente. Não tem um dia sequer que um de nós não comete um crime contra uma mulher. Onde está esse erro que não tem conserto?
O cara pede para namorar a garota, ela não quer, aí ele dá trinta facadas nela. O outro, ao ver o fim do relacionamento - por causa de sua falta de educação, sua insensibilidade e falta de caráter - assassina a ex-companheira sem dó. O caso dos quatro rapazes que acompanhados de um adolescente, todos de boas famílias, boa educação e bons colégios, estuprarem uma menor de idade na maior covardia, esse eu nem vou comentar. Meu estômago já sofreu o bastante.
Sei que muita gente não acredita em Deus, mas é onde todo mundo se agarra na hora do aperto. Esse Deus, se mandar fazer outra arca, com certeza, vai mandar os animais gerenciarem a entrada das espécies na arca e mais certeza tenho ainda de que nenhum homem vai poder entrar nela. Foi o único que desandou, a única espécie que não deu certo, tem que voltar pra masseira e ser refeito.
A massa desandou, deu tudo errado. Não há nada pra comemorar no dia da comemoração.
Infelizmente, a cada 08 de março, é maior a quantidade de protestos e pedidos de ao invés de flores e chocolate, dignidade e respeito. Que pena!
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Paulinho Freitas é escritor e compositor.












































