8 de Março: Para que serve?
- Jornal Daki
- há 31 minutos
- 3 min de leitura
Por Mira Pimentel

Celebramos o Dia Internacional da Mulher. Houve flores, mensagens nas redes sociais, discursos bem ensaiados e fotografias de autoridades ao lado de mulheres sorridentes.
Mas, no cotidiano das ruas, a realidade continua outra.
A misoginia segue viva. A violência contra as mulheres cresce em proporções que já não cabem nas estatísticas frias dos relatórios.
E então surge a pergunta inevitável: o que realmente mudou?
Não quero que a defesa das mulheres exista apenas em discursos, utopias ou ideologias bem escritas. Quero vê-la funcionando na prática.
Quero Secretarias de Assistência atuantes. Quero gestores que saiam dos gabinetes e caminhem pelas ruas.
Quando olho para a realidade de São Gonçalo, vejo uma cidade grande, pulsante, cheia de gente trabalhadora. Vejo mulheres que sustentam casas inteiras, mães que saem ainda de madrugada para pegar condução, avós que criam netos com uma coragem silenciosa.
Mas também vejo outra coisa: vejo mulheres que muitas vezes não encontram apoio real quando precisam.
Existem políticas públicas importantes. Existe a Lei Maria da Penha, criada para proteger mulheres da violência. Existem equipamentos sociais fundamentais como o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que deveriam ser portas abertas de acolhimento, orientação e proteção.
Na teoria, tudo isso é muito bonito.
Na prática, porém, o cidadão muitas vezes entra nesses espaços com esperança…e sai com frustração.
A sensação que fica é dura de admitir: não entramos em alguns desses órgãos para resolver, mas para burocratizar.
Papéis. Filas. Carimbos. Encaminhamentos.
E nervos excitados por um sistema que parece mais preocupado em seguir protocolos do que em acolher pessoas.
Falta algo essencial: gente preparada para atender o povo.
Porque política pública não é apenas estrutura. É humanidade.
Quando uma mulher chega a um equipamento social, ela não traz apenas um documento na mão. Ela traz uma história, uma dor, uma urgência.
E é nesse ponto que surge a crítica necessária.
Observando o funcionamento de muitas secretarias da prefeitura de São Gonçalo, cresce entre a população uma sensação preocupante de inaptidão institucional. Não por falta de prédios ou programas escritos, mas pela distância entre aquilo que está no papel e aquilo que chega, de fato, à vida das pessoas.
Enquanto isso, a vida continua acontecendo do lado de fora das repartições.
E as mulheres seguem tentando sobreviver em meio às suas batalhas diárias.
O Dia Internacional da Mulher não deveria ser apenas uma data comemorativa.
Deveria ser um espelho.
Um dia para medir resultados. Para cobrar políticas públicas que funcionem. Para perguntar, sem medo:
Quantas mulheres foram realmente protegidas?Quantas famílias receberam orientação?
Quantas vidas foram transformadas?
Porque flores murcham no dia seguinte.
Mas dignidade, segurança e respeito esses deveriam durar todos os dias do ano.
E aqui cabe uma antiga sabedoria que atravessa gerações, registrada no Livro de Provérbios:
"Quando o justo governa, o povo se alegra; mas quando o ímpio domina, o povo geme." Provérbios 29: 2
Que essa reflexão não seja apenas uma crítica.
Que seja também um chamado.
Porque governar é servir. E servir ao povo exige mais do que cargos exige consciência, preparo e compromisso com a vida real.
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Mira Pimentel é cronista.












































