Carta aos meus filhos
Por Odimar Junior

Meus filhos, prestem bastante atenção ao que vou lhes dizer! Eu tentei, como sei fazer, como pude e com as ferramentas que tenho, deixar um estado e um país melhor para vocês, mas eu não luto sozinho. Há outros que lutam comigo — em ambos os sentidos dessa frase.
Eu gostaria muito que o estado do Rio de Janeiro fosse menos violento, que houvesse mais oportunidade de empregos e que esses fossem bons empregos. Que vocês pudessem crescer em um país no qual não tivessem que trabalhar 44, 50, 60 horas ou mais por semana para garantir o básico.
Eu gostaria muito, mas muito mesmo, que vocês tivessem tempo de qualidade sem se preocuparem com o salário. Que não precisassem ficar fazendo contas para saber se vão poder ou não ir a um restaurante, a um parque, a um museu, ao cinema etc. Mas, como eu disse, há outros que lutam comigo e, ontem, eu percebi que a força deles é grande. Foram crescendo como uma doença que vai dando sinais, mas que o doente ignora... até que seja tarde demais.
Eu tento entender o que está acontecendo, até porque não é só no Brasil. Contudo, é um movimento tão irracional que eu confesso que tenho dificuldade. Vejam, ouçam, leiam, meus filhos, o que digo: se dizem patriotas, mas odeiam os seus compatriotas que pensam diferente, querem entregar as nossas riquezas aos EUA e batem continência à bandeira americana; se dizem a favor da família, mas negam aos pais a possibilidade de terem mais tempo com os filhos e netos, obrigando-os a uma escala exaustiva de trabalho, além do tempo que perdem no transporte público de péssima qualidade.
Eu não consigo entender como podem ter medo do comunismo depois de tanto tempo e com provas absolutas de que esse tipo de regime jamais será implementado no Brasil. Mas deve ser isso, o medo. O medo é um péssimo conselheiro! O medo leva as pessoas a terem atitudes irracionais, bloqueia a mente, pode levar à violência.
Talvez, por isso, estejamos vendo igrejas que apoiam o uso de armas e da violência. Elas se esqueceram do discipulado do Nazareno. Passaram a utilizar uma teologia veterotestamentária para apoiar as suas ideias, mesmo tendo o Apóstolo Paulo afirmado que a antiga aliança é uma sombra do que viria. Trocaram Jesus por Mamom. Aceitaram a proposta maligna de poder e, curvando-se, adoraram Satanás.
Então, meus filhos, cuidem-se! Preparem-se da melhor forma possível para um futuro em que os empresários continuarão a explorar os seus empregados. Economizem os seus recursos, pois a aposentadoria será um privilégio dos políticos e dos militares.
Um pedido final: se vocês ascenderem socialmente, lembrem-se de que vieram da pobreza e não explorem os pobres. Não acreditem na meritocracia: ela não existe, principalmente no nosso país. Caso vocês se tornem militares, lembrem-se de que serão servidores públicos e atuem para o bem da nação, e não contra ela — quem só pensa em si e em enriquecer através do serviço público presta um desserviço à nação, é quase um traidor. E, principalmente, aprendam a votar. É o único meio que temos para tentar mudar a nossa situação. Leiam as notícias de forma crítica, cuidado com as mentiras que são espalhadas, chequem as fontes, não acreditem em nenhuma informação por impulso ou porque ela os agrada, mesmo que a informação venha de um líder religioso — eles também mentem, e muito! NUNCA, sob nenhuma hipótese, votem em quem é contra vocês. Com um pouquinho de inteligência vocês saberão identificá-los.
Eles são contra todos os seus direitos. Eles são ricos e se protegem. Eles fazem vocês pagarem impostos enquanto se isentam. Eles têm excelentes planos de saúde enquanto sucateiam o SUS. Muitos deles têm associação com o crime organizado. Se vocês forem inteligentes, saberão identificá-los.
Boa sorte, meus filhos! O futuro de vocês depende das escolhas que vocês farão. Façam boas escolhas.
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Odimar Junior, maratonista amador e que deseja continuar correndo por muitos anos, a menos que o joelho impeça.









































































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