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Ditadura Nunca Mais! - Por Dimas Gadelha


Tribo Krenak, de Minas Gerais, foi forçada a aprender técnicas de tortura. Dissidentes eram jogados em reformatórios como loucos/Foto: Reprodução
Tribo Krenak, de Minas Gerais, foi forçada a aprender técnicas de tortura. Dissidentes eram jogados em reformatórios como loucos/Foto: Reprodução

No dia 1º de abril de 1964, há exatos 58 anos, consumava-se o golpe contra o presidente João “Jango” Goulart. Você não leu errado. Não foi “revolução” ou “movimento” de 31 de março, como a extrema-direita e parcela dos militares gostam de dizer para falsear a História. Aliás, fake news é o que essa gente gosta de espalhar.


Nesse dia, ironicamente o Dia da Mentira, tanques tomaram as ruas de Rio, São Paulo e Brasília como forma de pressionar o Congresso pela deposição imediata de Jango. Coisa que viria acontecer no dia seguinte baseada em outra mentira, de que o presidente havia abandonado o país. Esse dia marca o início de nossa tragédia, quando os canhões dos tanques do Exército se voltam contra nossas instituições e a Democracia.


Era novamente os militares entrando em cena neste triste episódio do Brasil, que marcou uma era de perseguições, torturas, mortes, corrupção e aprofundamento da desigualdade, desaguando nos anos 1980 na maior crise econômica de toda a nossa história, com desemprego recorde e hiperinflação. Alguma semelhança com o que ocorre hoje? Estragos que somente os civis dariam jeito nos anos seguintes.


Para exaltar a ditadura, insistem na balela, na propaganda vazia do “milagre econômico” às custas de endividamento externo crônico que nos deixou na “mão do palhaço” do FMI, até finalmente Lula comprar nossa carta de alforria tornando o Brasil credor do Fundo. Isso é soberania. Isso é verdadeiro patriotismo. Não é bravata barata de quem não tem o que mostrar ou o que dizer.


Quem defende esse regime de exceção o faz de má-fé, é beneficiário ou não sabe o que é alguém invadir sua casa ou seu trabalho para, sem mandado, levá-lo preso, sem direito sequer a saber do que está sendo investigado ou acusado. E muito menos ter direito a um habeas corpus, a maior das maiores conquistas civilizatórias contra o arbítrio do Estado.


Centenas de brasileiros foram arrancados de seu convívio familiar para serem torturados e mortos por fleurys e ulstras, heróis de a gente sabe quem, que hoje com certeza não estão em bom lugar.


Segundo relatório final da Comissão Nacional da Verdade, criada em 2012 pela presdidente Dilma Rousseff para investigar os crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura, oficialmente 434 pessoas foram mortas ou desaparecidas no período. O que foi confirmado até pelos agentes militares que atuaram em diversos órgãos do governo durante a repressão que participaram da Comissão de modo espontâneo.


Esses números, por sua vez, não englobam os diversos massacres contra indígenas que, só na Amazônia, estima-se ser mais de 20 mil mortos quando da construção da Transamazônica. Ou mesmo nas cidades, em ação direta das polícias, forças auxiliares do Estado na repressão política e social.


Por tudo isso, DITADURA NUNCA MAIS!

 

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Dimas Gadelha é médico sanitarista, secretário de Gestão e Metas de Maricá e ex-secretário de Saúde de São Gonçalo.