Marielle Vive
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Marielle Vive

Por Mira Pimentel


Gerada por IA
Gerada por IA


Em um país acostumado a silenciar mulheres — especialmente mulheres negras, periféricas, dissidentes — Marielle Franco não foi apenas um nome. Foi ruptura.


Nascida na favela da Maré, socióloga, mãe, mulher negra, eleita vereadora no Rio de Janeiro, ela transformou o espaço institucional em território de denúncia. Falava de igualdade racial, de direitos humanos, de dignidade para mulheres, para a população LGBTQIAPN+, para moradores de favela — falava do que muitos preferiam manter invisível.


Marielle não era uma “simples mulher”. Ela era projeto. Era travessia. Era enfrentamento.


Em uma estrutura historicamente moldada pelo “macho alfa” — aquele que se vê detentor do poder, da narrativa e dos corpos — sua presença incomodava. Não por gritar, mas por existir com lucidez. Por não aceitar o papel de colaboradora silenciosa do homem no comando. Por ocupar a tribuna com firmeza e estratégia.


Quando tentaram derrubar um corpo, imaginando que derrubariam uma ideia, erraram o cálculo. A eliminação foi recado. Mas o recado retornou.


Anos depois, a responsabilização penal dos envolvidos ecoa não apenas como cumprimento do Código Penal, mas como sentença social. Prisão é privação de liberdade — e isso já é, por si, uma queda. Mas maior que a cela é a ruína simbólica: a constatação de que não há mais invisibilidade garantida, nem corporativismo eterno que proteja a misoginia travestida de poder.


A tecnologia avançou. A sociedade despertou. As mulheres do século XXI aprenderam a se reconhecer umas nas outras.


Hoje, não festejamos a dor. Festejamos a quebra da sensação de impunidade.


Marielle veio com missão — e missão não se enterra. Ela recuperou em nós algo que tentaram nos tomar desde sempre: a consciência de que não somos apêndice de poder masculino. Somos centro. Somos voz. Somos decisão.


Sua bandeira segue estendida. Manchada de sangue, sim. Mas também costurada com coragem.


Somos mais Marielle hoje.


E aquele velho jargão continua valendo: a justiça tarda, mas não falha.


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Mira Pimentel é cronista

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