Rebedia
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SÃO GONÇALO DE AFETOS


Por Paulinho Freitas

 

Gerada por IA
Gerada por IA

Quando eu era pequeno, acreditava nas crendices, ditos populares, mas sempre me perguntava o porquê. 


Quando as dificuldades se apresentavam e eram de difícil solução, alguém mais velho sempre dizia: _ Reclamamos de nossa dificuldade, mas se olharmos para o lado, veremos pessoas com dificuldades maiores. Veja por exemplo nosso corpo. Temos um corpo perfeito, saudável, quando olhamos para o lado, vimos pessoas que não conseguem andar, por paralisia ou falta de um ou dos dois membros inferiores, outros , também, não conseguem abraçar ou mesmo ver as pessoas que amam. 


Eu ficava quieto, mas por dentro eu me perguntava o porquê ter de me conformar com meus problemas porque o outro tinha um problema maior que o meu. Isso é covardia sem tamanho, o que vem pra ele é dele, o que vem pra mim é só meu. Ao invés de resolver o meu problema, tentar melhorar de alguma forma, teria que me contentar com a desgraça alheia. 


Na igreja me ensinaram a dar a outra face depois de ter levado um tabefe, pelo amor de Deus! Quem leva um  tapão e vira o rosto pra levar outro? Nem doido! “O que não tem remédio, remediado está.” Não tem remédio, deixa morrer, é isso? O que é que há! Não me conformava com isso, mas tinha que ficar quieto para não faltar com o respeito aos mais velhos. Antigamente tinha disso. 


Aprendi boas maneiras, como me portar à mesas, ser gentil com as pessoas, não discriminar, respeitar o jeito que cada um tem de levar a própria vida, -o que, realmente não me diz respeito.- e principalmente calar, diante da ignorância alheia. Eles não vão aceitar a razão e só vou gerar uma discussão sem sentido ao mostrar um caminho que a pessoa não quer seguir. Mas tem coisas que me queimam de vontade de falar. Hoje quase fui atropelado por uma moto que irregularmente passava pela ciclovia, que em alguns trechos não tem calçada para o pedestre.  Dei um pulo para trás e gritei um “caramba!”  O motoqueiro, sem capacete e de sandálias olhou para trás e gritou:


_ Sai da frente meu tio! Quer dizer que eu estava errado em estar sobre uma calçada que não contempla lugar para o pedestre e ele está certo por andar numa calçada que não é permitido andar com  o veículo que ele conduzia? 


Me lembrei e segui o que os mais velhos me ensinaram: Mais vale um covarde vivo do que um valente morto. Contra minha vontade, mas como o cara era bem jovem e bem forte, sucumbi à ideia. 


Não sou avô, ainda, mas se tiver esta dádiva, pretendo, ao invés de sair arrotando sabedoria pra cima da criança, só porque eu sou mais velho, pretendo perguntar o que ela acha sobre os assuntos sobre os quais vamos conversar.


Talvez ela tenha melhor ideia sobre as coisas e assim não vai ficar limitada a aceitar o que o velho avô diz, o que os líderes religiosos pregam e o que a mídia nos tenta empurrar goela abaixo todos os dias. Terá a rebeldia intelectual à flor da pele. Um ser humano bem melhor que eu. Assim seja! 


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor


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