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O Planeta e a lei universal do cuidado - por Dimas Gadelha


Abertura da Rio-92/Foto: Reprodução Internet
Abertura da Rio-92/Foto: Reprodução Internet

Hoje, 5 de junho, faz 50 anos em que foi instituído pela ONU, em Estocolmo, o Dia Mundial do Meio Ambiente. Meio século, portanto, de preocupação ambiental em nível global.


Também em junho deste ano faz 30 anos redondos da Eco-92 ou Rio 92, Conferência do Ambiente realizada na capital fluminense de avaliação geral, diagnósticos e proposição de metas para a mitigação dos problemas na área que já assombravam o mundo.


Na Rio-92 viriam a ser discutidos, pela primeira vez e com seriedade, os principais dilemas ambientais do Planeta, principalmente os relacionados ao desenvolvimento social e econômico e ao clima.


Temas que seriam aprofundados apenas 23 anos mais tarde na França, dando origem, em 2015, ao Acordo de Paris, boicotado pelo presidente estadunidense Donald Trump, inspiração ecocida do Bolsonaro que literalmente põe fogo na Amazônia.


O que mudou de 50 anos para cá? O que avançamos? A resposta é: muito pouco ou nada. E esse muito pouco ou nada significa que corre mais rápido o "relógio do fim do mundo" no que se refere ao aquecimento global, que vai tornar mais frequentes, mais intensos e mortais, os eventos extremos do clima. E as chuvas que afetaram Petrópolis em março, e, mais recentemente, o Recife, são tristes exemplos disso.


Os dois episódios exprimem bem a responsabilização humana, tanto nas causas como em suas consequências nas trágicas 361 mortes registradas: 233 na cidade serrana e 123 na capital pernambucana. Numa sinistra combinação de evento climático extremo com a pobreza, que empurrou essas pessoas para áreas de moradia de risco em beira de rio ou em encostas.



Se por um lado devemos urgentemente pressionar para o cumprimento dos acordos globais de zero emissão de carbono e de gases poluentes pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento até 2030, a fim de combater os efeitos trágicos do aumento da temperatura em todo o Planeta, temos também que atentar concomitantemente para demandas ambientais locais de igual urgência de resolução.


Disso, pode citar - entre outras ações que vão além da ação óbvia de por fim imediato ao desmatamento de nossas florestas - a gestão racional e otimização das águas e rios em áreas rurais e urbanas, oferta diversificada em tecnologia de serviços de saneamento (biodigestores, por exemplo) e reaproveitamento e reciclagem de resíduos num novo paradigma sustentável de desenvolvimento, que é consenso há três décadas, mas que muito pouco saiu do papel por falta de compromisso dos governos com a causa ambiental. Agora, mais do que nunca, a Causa das causas.


O Planeta é um só. Nossa única morada. Para nós e nossos filhos. E levantar muros de nada adianta, nada resolve, quando os recursos que precisamos para sobreviver dependem da ação coletiva para estarem a todos disponíveis.


Para o Planeta, o que vale é a lei universal do cuidado.

 

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Dimas Gadelha é médico sanitarista, ex-secretário de Saúde de São Gonçalo e ex-secretário de Gestão e Metas de Maricá.