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Aos donos do jornal O São Gonçalo - por Mário Lima Jr.


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Ontem foi aniversário de fundação do jornal O São Gonçalo, publicado pela primeira vez em 22 de janeiro de 1931. Nos últimos 91 anos a história do veículo fez parte da construção do município. Vocês, donos do jornal, não comemoraram. Sequer publicaram uma nota de rodapé sobre essa data tão importante. Um jornal que não celebra a própria existência é um jornal morto. Mantê-lo se tornou um fardo notório pra vocês. Uma atividade sem paixão ou cuidado por esse patrimônio do jornalismo gonçalense. É o momento de vendê-lo. Entreguem o jornal O São Gonçalo a quem o ama, antes que danos mais graves sejam causados, pelo bem dos colaboradores restantes e de São Gonçalo inteira.


Quanto vocês querem pelo jornal? O veículo tem um preço para libertá-lo, quando refém nas mãos de chanceleres de um universo sombrio que não o valorizam. Pergunto com o devido respeito por todas as notícias publicadas e com absoluta consideração pela missão do jornal de ser “uma árvore imortal, árvore da inteligência, da vontade popular e das aspirações públicas”. Desejo de Belarmino de Mattos, seu fundador.



Primeiro vocês transformaram o diário em um catálogo de cadáveres expostos da primeira à última página impressa. Mesmo com a migração para a versão online, que se fez necessária a veículos de comunicação no mundo inteiro, chocar através do sangue no chão permanece como pilar central do seu modelo de negócios. Tanto que há dez dias um assassinato está fixado como postagem inicial no perfil do jornal no Facebook, seguido por nada menos que 252 mil pessoas. Público que merece mais informações sobre como São Gonçalo lida com a pandemia, por exemplo, ao invés de saber quantos se machucaram no acidente de carro de Arnold Schwarzenegger em Los Angeles.


Causa surpresa aos leitores que o portal de O São Gonçalo na Internet esteja tão abandonado. Deliberadamente vocês destroem o mínimo que resta do brilho do veículo. Acessando o site pelo celular, corremos o risco de desistir. A excessiva quantidade de anúncios frequentemente cobre a tela, impedindo a leitura, e não aparece botão para fechar a propaganda. Há links quebrados que conduzem o leitor a uma página de erro, sem conteúdo, como o link para a seção de Classificados. Outros resultam em uma página em branco (Papo de Chef). E é fácil encontrar caminhos para colunas não atualizadas há quase quatro anos, como o link para a maravilhosa, e infelizmente extinta, Entre Letras.



Erros, páginas em branco e conteúdo de anos atrás na primeira página é suicídio jornalístico. O São Gonçalo está na alma de centenas de milhares de gonçalenses, deixem o jornal viver. Há meses que a conta no Instagram não posta nada, apesar dos 45 mil seguidores. Vocês não querem mais esse trabalho. Jamais respeitaram e dialogaram com os leitores, por isso dependem de anúncios de apostas no site e de propaganda sobre como descarregar o intestino. Definam o preço e entreguem a marca e a administração do jornal o quanto antes.


Este texto apareceu antes em www.mariolimajr.com

 

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Mário Lima Jr. é escritor.





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